Mais dois representantes de empresas de telecomunicações são ouvidos na CEI dos Fios Soltos
Durante oitiva realizada nesta terça-feira (5) pela Comissão Especial de Inquérito (CEI) dos Fios Soltos, mais dois representantes do setor de telecomunicações e manutenção de redes prestaram esclarecimentos sobre a situação da fiação instalada nos postes da capital.
Presidente da Associação das Prestadoras de Serviços de Telecomunicação do Centro-Oeste (Aspres) e diretor do Sindicato Interestadual dos Provedores de Acesso à Internet (Sinet), Romenig Júnior Antônio de Lima reconheceu a gravidade do problema, que, segundo ele, não se restringe a Goiânia, mas se repete em todo o país. Para ele, a principal responsabilidade recai sobre a concessionária de energia, Equatorial, por ser a detentora e fiscalizadora da infraestrutura dos postes. “Não há fiscalização efetiva nas ruas, o que permite que muitas empresas clandestinas instalem fios sem permissão”, afirmou.
Romenig também admitiu que o acúmulo de cabos inutilizados é resultado de décadas de serviços cancelados sem a retirada da fiação correspondente. Segundo ele, a Aspres não possui controle sobre as instalações existentes, uma vez que esse monitoramento cabe exclusivamente à Equatorial. “Quem tem todas as informações de quais empresas estão instaladas em cada poste é a Equatorial, já que é ela que concede o uso dos mesmos. A Equatorial não nos passa a relação das empresas instaladas por postes porque alega que é informação confidencial.”
Ao comparar a atual gestão com a Enel, que é a antiga concessionária, ele afirmou que anteriormente havia maior rigor na fiscalização. “Os cabos sem placa de identificação e que não constavam na autorização de uso eram retirados.” Outro ponto criticado foi o processo de substituição de postes realizado pela Equatorial. Segundo ele, a troca frequentemente gera desorganização ao agrupar fios de forma inadequada. “Eles amarram todos os fios e gera bagunça.” Também reclamou da falta de aviso prévio para empresas de telecomunicação quando postes são substituídos, sugerindo prazo mínimo de cinco dias úteis.
A Aspres reúne cerca de 200 empresas associadas, embora nem todas possuam autorização direta da Equatorial para utilização dos postes, já que algumas operam por meio de redes neutras, alugando infraestrutura de outras operadoras.
De acordo com Romenig, empresas que atuam de forma irregular costumam se concentrar em condomínios, oferecendo preços muito abaixo do mercado. Já grandes operadoras, como Claro, TIM e Vivo, teriam instalações adequadas, mas também contribuiriam para o problema ao não retirarem cabos após cancelamentos de contratos. “Nenhuma operadora faz isso, por isso deveria haver regulamentação a respeito”, disse, ao defender a cobrança de taxa de cancelamento autorizada pela Anatel para custear a retirada de equipamentos e cabos nas residências.
Apesar dos problemas, Romenig afirmou que, desde outubro, houve melhora no cenário, especialmente pela maior conscientização de pequenos provedores, embora ainda haja avanços necessários. Ele defendeu que a retirada de cabos em desuso deveria ser responsabilidade das operadoras, mas reconheceu que, na prática, a obrigação acaba recaindo sobre a Equatorial, responsável por fiscalizar, notificar e, se necessário, remover estruturas irregulares.
Como medida para ampliar a fiscalização, anunciou que está em fase final de desenvolvimento, por meio de parceria público-privada, um aplicativo que permitirá à população denunciar problemas em postes por meio de fotos e localização deles, notificando automaticamente todas as empresas que atuam na área informada.
Romenig disse ainda que está em andamento um trabalho de inspeção e limpeza de fios inutilizados, iniciado nas principais avenidas da cidade. Segundo ele, todas as empresas estão autorizadas pela Prefeitura a remover cabos rompidos. A associação também orienta provedores a abandonarem o uso de esticadores de fios, apontados como principais responsáveis pela deterioração da rede. “Os cabos não são o problema em si, eles costumam ser de ótima qualidade. Os esticadores, sim, são os maiores vilões”, ressaltou.
Também ouvido pela CEI, o supervisor de manutenção da Ondacom, Rogério Peixoto de Andrade, apresentou a perspectiva operacional de quem atua diretamente na manutenção da rede. A empresa presta serviços para Vivo e TIM em Goiânia e, segundo ele, realiza manutenção preventiva diária.
Rogério afirmou que todos os cabos das empresas são devidamente identificados e que, ao detectar fios rompidos durante inspeções, a retirada é imediata. O trabalho, segundo ele, é constantemente fiscalizado pelas operadoras contratantes, que acionam a Ondacom para correções sempre que necessário. Notificações externas sobre problemas nas redes chegam inicialmente pela Equatorial às empresas de telecomunicações, que então repassam as demandas às prestadoras responsáveis.
Na avaliação do supervisor, grandes operadoras seguem, em geral, as normas técnicas de instalação, enquanto empresas clandestinas são as principais responsáveis pelas instalações inadequadas que contribuem para a poluição visual e riscos na rede aérea de Goiânia.













