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Ouvidoria da Mulher consolida rede de acolhimento em Goiânia e registra alta de 38% nas denúncias de violência em 2025

por Edição de notícias publicado 02/03/2026 15h15, última modificação 02/03/2026 16h33
Implementado a partir do mandato da vereadora Aava Santiago (PSB), serviço conta com 55 psicólogas e fortalece ações de prevenção e de enfrentamento à violência de gênero
Ouvidoria da Mulher consolida rede de acolhimento em Goiânia e registra alta de 38% nas denúncias de violência em 2025

Foto: Assessoria da Vereadora

A Ouvidoria da Mulher da Câmara de Goiânia registrou aumento de 38% nas denúncias de violência em 2025, além de 255 atendimentos individuais a mais em comparação com 2024. Os dados revelam crescimento significativo da procura e indicam maior confiança das mulheres na política pública de acolhimento e enfrentamento à violência de gênero.

A Ouvidoria foi estruturada a partir do mandato da vereadora Aava Santiago (PSB), que exerce a função de ouvidora especial do canal de acolhimento. O espaço tornou-se referência como porta de entrada para mulheres em situação de violência, integrando escuta qualificada, atendimento psicológico, orientação jurídica e encaminhamentos à rede de proteção. A iniciativa é viabilizada por meio de convênios com a Universidade Salgado de Oliveira (Universo) e com a FacUnicamps, garantindo suporte técnico e ampliação do atendimento.

“Os números mostram que as mulheres estão reconhecendo na Ouvidoria um espaço seguro e eficiente para acessar os mecanismos necessários ao rompimento da violência. Quando elas nos procuram, nosso papel não é apenas formalizar a denúncia, mas garantir acompanhamento contínuo, articulando a rede de proteção para que essa mulher siga assistida até superar completamente a situação de violência”, afirma Aava.

Crescimento da procura e foco na saúde mental

Em 2024, foram registradas 175 denúncias de violência. Em 2025, esse número saltou para 453. O crescimento foi acompanhado por expansão estratégica do atendimento psicológico e das ações de prevenção.

O plantão psicológico passou de 121 atendimentos em 2024 para 312 em 2025. Os encaminhamentos para psicoterapia individual cresceram de 7 para 120. O programa Acolha uma Mulher ampliou sua rede de psicólogas voluntárias de 28 para 54 profissionais, duplicando a capacidade de atendimento gratuito.

Ao todo, foram realizadas 32 ações de prevenção e acolhimento em 2025. Paralelamente, houve redução nos pedidos de assistência social – de 424 registros em 2024 para 75 em 2025. A mudança reflete a reorganização do trabalho, com centralidade na saúde mental como ferramenta essencial para o rompimento definitivo da violência.

Segundo Maria Clara Dunck, coordenadora da Ouvidoria da Mulher, os impactos são visíveis na prática. “Testemunhamos histórias de transformação muito profundas. Mulheres que viveram ciclos de violência por anos e que, com apoio psicológico e orientação especializada, conseguiram retomar o controle das próprias vidas. Muitas voltaram a estudar, retornaram ao mercado de trabalho e conquistaram independência emocional e financeira”, afirma.

Violência psicológica permanece como a mais denunciada

Apesar do aumento no número total de denúncias, a hierarquia das violências permanece praticamente a mesma, o que indica continuidade estrutural do padrão de gênero.

Em 2025, os registros foram:

- violência doméstica psicológica: 208 casos;

- violência doméstica física: 139 casos;

- violência doméstica patrimonial: 44 casos;

- violência doméstica moral: 34 casos;

- violência doméstica sexual: 9 casos;

- violência vicária: 8 casos;

- discriminação de gênero: 4 casos;

- crime sexual: 4 casos;

- violência institucional: 3 casos.

A violência psicológica lidera os registros. Trata-se de agressões que envolvem controle, ameaças, humilhações, isolamento e manipulação emocional – muitas vezes invisibilizadas socialmente.

A violência física aparece como segundo maior índice, evidenciando risco à integridade corporal. Já a violência patrimonial, com 44 registros, inclui retenção de documentos, controle de recursos financeiros e destruição de bens – práticas que dificultam a autonomia das vítimas. A violência vicária, ainda pouco conhecida, envolve o uso da guarda dos filhos como instrumento de chantagem após a separação.

“Os dados mostram que a violência começa no emocional, pode avançar para o físico e se estende ao patrimônio e à maternidade. Fortalecer a Ouvidoria é fortalecer a capacidade das mulheres de reconhecer essas dinâmicas e de buscar proteção”, explica Aava.

Política pública permanente de acolhimento

Em 2025, também foram realizados 56 atendimentos jurídicos, principalmente em casos de divórcio, guarda de filhos e retenção patrimonial. Mesmo com a queda nas solicitações de assistência social, permanecem desafios relacionados à vulnerabilidade econômica e à insegurança alimentar.

Maria Clara reforça que os números não representam apenas estatística, mas mudança concreta na vida das assistidas. “Quando uma mulher rompe o ciclo da violência, ela não muda só uma relação. Ela muda o rumo da própria história. Nós acompanhamos mulheres que retomaram sonhos interrompidos, que voltaram a estudar depois de anos, que reconstruíram sua autonomia financeira e emocional. Isso é política pública funcionando na vida real”, reforça.

Os números mais baixos de violência institucional, de crime sexual e de discriminação de gênero indicam possível subnotificação, associada ao medo de revitimização e à desconfiança nas instituições.

A comparação entre 2024 e 2025 evidencia que a violência contra as mulheres é contínua e multifacetada. O aumento das denúncias demonstra maior conscientização e fortalecimento do canal de escuta. “Denunciar é um ato de coragem. Nosso compromisso é garantir que cada mulher encontre acolhimento, orientação e apoio para reconstruir sua autonomia”, conclui Aava.

Com ampliação do atendimento psicológico, fortalecimento da rede de voluntárias e atuação integrada com a rede de proteção, a Ouvidoria da Mulher da Câmara de Goiânia se consolida como política pública estruturante no enfrentamento à violência de gênero.

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