Você está aqui: Página Inicial / Sala de Imprensa / Notícias dos Gabinetes / Notícias dos Gabinetes: notícias / Fabrício Rosa propõe ações de atenção à saúde mental de pessoas dependentes de jogos de azar

Fabrício Rosa propõe ações de atenção à saúde mental de pessoas dependentes de jogos de azar

por Da Redação publicado 14/11/2025 11h15, última modificação 14/11/2025 14h01
Além de estabelecer princípios, diretrizes e formas de atuação intersetorial, projeto estimula realização de campanhas educativas relacionadas à ludopatia
Fabrício Rosa propõe ações de atenção à saúde mental de pessoas dependentes de jogos de azar

Foto: Millena Cristina

O vereador Fabrício Rosa (PT) apresentou, nesta semana, projeto de lei que prevê a criação da Política Municipal de Atenção à Saúde Mental de Pessoas com Transtornos Associados à Dependência em Jogos de Azar – a ludopatia – em Goiânia. A principal preocupação da proposta se dá pelo avanço dos problemas relacionados a jogos e a apostas eletrônicas – as bets. O projeto de lei 641/2025 estabelece princípios, diretrizes e formas de atuação intersetorial; autoriza a celebração de parcerias; e propõe a realização de campanhas educativas.

A ludopatia é reconhecida como transtorno mental e comportamental pelos principais sistemas classificatórios (CID-10, CID-11, DSM), com evidências consistentes de associação a endividamento grave, conflitos familiares, depressão, ideação e tentativa de suicídio, perda de emprego e vulnerabilidades sociais. Estudos e notas técnicas recentes no Brasil apontam que o ambiente digital, com acesso 24 horas, rapidez de transações, bônus agressivos, anonimato relativo e forte apelo publicitário, aumenta o risco de uso compulsivo e dificulta o controle individual.

O vereador lembra que levantamento técnico do Banco Central do Brasil e análises subsequentes indicam a movimentação de bilhões de reais em apostas on-line, o que inclui montantes expressivos oriundos de beneficiários de programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, “o que evidencia deslocamento de recursos essenciais para o consumo de apostas e aprofunda a vulnerabilidade de famílias de baixa renda”.

Para Fabrício Rosa, esses dados dialogam com outros encontrados ao redor do mundo a respeito dos problemas de saúde mental causados pelas bets, como os relatórios da Lancet Public Health Commission on Gambling, “que defendem tratar o jogo problemático como tema de saúde pública, demandando políticas específicas de prevenção, regulação de estímulos e oferta de cuidado acessível”.

Segundo o parlamentar, embora a Lei 14.790/2023 e outras normas federais tenham disciplinado a exploração das apostas de quota fixa, essa regulamentação não afasta a responsabilidade municipal de organizar sua Rede de Atenção Psicossocial para acolher pessoas com transtornos decorrentes do jogo; de desenvolver campanhas educativas e ações preventivas em escolas, unidades de saúde e territórios vulneráveis; e de articular saúde, assistência social e educação na proteção de pessoas e de famílias afetadas.

PL 641/2025

Em seu artigo 1º, a proposta estabelece que fica instituída, em Goiânia, a Política Municipal de Atenção à Saúde Mental de Pessoas com Transtornos Associados à Dependência em Jogos de Azar (ludopatia), com fundamento nos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS) e da Rede de Atenção Psicossocial (Raps).

Para isso, devem ser observados os seguintes princípios.

- reconhecimento da ludopatia como questão de saúde pública e como problema de alta relevância social;

- integralidade, continuidade e humanização do cuidado;

- intersetorialidade entre saúde, assistência social, educação, esporte, cultura, direitos humanos e juventude;

- respeito à dignidade, à autonomia e à confidencialidade das pessoas atendidas;

- promoção da equidade, com atenção especial a populações vulnerabilizadas;

- atuação baseada em evidências científicas e em boas práticas nacionais e internacionais.

Ludopatia

De acordo com o PL 641/2025, "entende-se por ludopatia o transtorno de comportamento caracterizado por padrão persistente e recorrente de jogo ou de aposta, preferencialmente em dinheiro, com perda de controle sobre a atividade e sobre a manutenção do comportamento, apesar de prejuízos pessoais, familiares, sociais ou financeiros, nos termos das classificações diagnósticas reconhecidas (CID-10, CID-11 e manuais internacionais)”.

Entre os objetivos previstos pela Política Municipal de Atenção à Saúde Mental de Pessoas com Transtornos Associados à Dependência em Jogos de Azar, estão:

- prevenir, identificar precocemente e enfrentar transtornos associados ao uso problemático de jogos de azar, de apostas eletrônicas e de correlatos;

- garantir acolhimento, acompanhamento, tratamento e reinserção social de pessoas com ludopatia, no âmbito da Rede de Atenção Psicossocial (Raps) e de outros serviços do SUS;

- desenvolver campanhas educativas contínuas sobre riscos e sobre impactos econômicos, sociais e psicológicos de apostas e de jogos de azar, com ênfase nas plataformas digitais;

- qualificar profissionais de saúde, de educação e de assistência social para identificação, abordagem e encaminhamento adequado dos casos;

- fomentar ações específicas voltadas à proteção de crianças, de adolescentes e de jovens, prevenindo a exposição precoce e a normalização das apostas;

- estimular a produção, a sistematização e a divulgação de dados e de estudos sobre ludopatia em Goiânia, resguardados o sigilo e a proteção de dados pessoais.

Diretrizes do PL 641/2025

O projeto estabelece diretrizes a serem seguidas pela Política Municipal, como a inserção das ações no âmbito da Rede de Atenção Psicossocial, em articulação com a Atenção Primária à Saúde, com os Centros de Atenção Psicossocial (Caps), com serviços especializados e com a rede de urgência e emergência; além da prioridade a estratégias de cuidado em liberdade, territoriais e comunitárias, com enfoque em prevenção, em redução de danos e no fortalecimento de vínculos familiares e sociais.

O texto também prevê a integração com a rede de assistência social, formada pelos Cras, Creas, Centros POP e entidades parceiras, para suporte a famílias em situação de vulnerabilidade, superendividamento ou ruptura de vínculos; a articulação com a Rede Municipal de Ensino, para ações educativas sobre jogo responsável, finanças pessoais e riscos da dependência em apostas, respeitada a autonomia pedagógica e as normativas educacionais; e o estímulo à criação de fluxos de referência e de contrarreferência entre saúde, assistência e justiça, para casos graves ou com risco associado à violência, ao endividamento extremo ou à violação de direitos.

Implementação da Política Municipal

A Política Municipal de Atenção à Ludopatia poderá ser implementada pelo Poder Executivo por meio de ações e de programas desenvolvidos pelas secretarias competentes, especialmente as de Saúde, Assistência Social, Educação, Esporte, Cultura, Direitos Humanos e Juventude.

De acordo com o projeto, ficará a cargo da Prefeitura de Goiânia estabelecer protocolos clínicos, linhas de cuidado e fluxos de atendimento no âmbito da Raps e da Atenção Primária à Saúde; promover campanhas educativas em escolas, unidades de saúde, equipamentos públicos e meios de comunicação institucionais; e ofertar formação continuada para profissionais da rede pública.

A proposta também autoriza o Executivo a firmar convênios, termos de colaboração, acordos de cooperação e parcerias com instituições públicas e privadas, universidades, conselhos profissionais, organizações da sociedade civil e organismos nacionais ou internacionais que atuem na prevenção, no tratamento, na pesquisa ou na reinserção social de pessoas com ludopatia, observada a legislação aplicável (em especial a Lei Federal 13.019/2014), que estabelece o regime jurídico de parcerias entre administração pública e organizações da sociedade civil.

Ainda de acordo com o texto, a Prefeitura de Goiânia poderá divulgar, em relatórios públicos, informações consolidadas sobre ações, atendimentos e resultados da Política Municipal, com indicadores de cobertura e de impacto, vedada a identificação individual de usuários. “O tratamento de dados decorrentes da execução desta Lei observará a Lei Federal 13.709/2018 (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais), garantindo-se finalidade específica, minimização, segurança e anonimização sempre que possível”, afirma a matéria.

Despesas da Política Municipal de Atenção à Ludopatia

As despesas decorrentes da execução da Lei serão custeadas por dotações orçamentárias próprias, que poderão ser suplementadas, se necessário, respeitadas as limitações da Lei de Responsabilidade Fiscal. “Fica o Poder Executivo autorizado a regulamentar esta Lei, no que couber, definindo atribuições dos órgãos envolvidos, fluxos assistenciais, protocolos, indicadores e estratégias de integração intersetorial, sem criação de novos cargos ou de estruturas permanentes.”

De acordo com Fabrício Rosa, a proposta foi apresentada e construída com rigor jurídico para não invadir a competência da União (que regula a atividade econômica das apostas) nem a competência organizacional da Prefeitura. “Não se criam cargos, não se impedem estruturas administrativas, não se intervém na gestão interna de secretarias”, observou o vereador.

Fabrício Rosa explica que o projeto limita-se a instituir princípios e diretrizes de uma política pública indispensável, que reconhece a ludopatia como questão de saúde mental relevante em Goiânia. A proposta autoriza a implementação de ações de prevenção, de cuidado e de reinserção, bem como a celebração de parcerias com instituições especializadas e a integração das ações à Raps, à Atenção Primária e à rede socioassistencial, o que fortalece fluxos já existentes, sem sobreposição normativa.

“Trata-se, portanto, de medida fundamentada e socialmente necessária, que responde à expansão das apostas on-line e de seus impactos na saúde mental e na economia familiar; que oferece instrumentos para prevenção e cuidado, em consonância com o SUS; que respeita a autonomia federativa e a reserva de iniciativa do Executivo; e que reforça o compromisso da Câmara de Goiânia com a proteção da saúde, da família, da juventude e das populações vulneráveis”, concluiu Fabrício Rosa.

TV Câmara ao vivo: transmissão das sessões no YouTube

Mídias Sociais
Destaques

Banner do Edital do Concurso Público CMG 2026

 

Banner Canal Cidadania.JPG

  

Goiânia 91 anos

 

Carta de Serviços

  

banner escola do legislativo.jpg

 

banner ouvidoria.jpg

Acesso a Informação

Acesso a informação

Plano Diretor

planoDiretor.jpg

Concurso Público
Portaria de Regulamentação do Estágio

Regras do Estágio

TV Câmara

TVCâmara

Ouvidoria da Mulher

Ouvidoria da Mulher

TV Câmara

TVCâmara

Notícias da Presidência

NoticiasDaPresidencia