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Fabrício Rosa enaltece pressão popular na suspensão da poda de árvores no Lago das Rosas

por Da Redação publicado 26/05/2026 11h20, última modificação 26/05/2026 13h11
Vereador acionou MPGO antes do início da derrubada. Moradores foram às ruas e prefeito reconheceu precipitação, levando à suspensão da ação
Fabrício Rosa enaltece pressão popular na suspensão da poda de árvores no Lago das Rosas

Foto: Assessoria do Vereador

A mobilização da população goianiense, com denúncia do vereador Fabrício Rosa (PT) ao Ministério Público (MPGO), resultaram na suspensão do corte de 48 árvores no Parque Lago das Rosas, no Setor Oeste, em Goiânia. A vitória da pressão popular foi confirmada pelo próprio prefeito Sandro Mabel (União Brasil), que reconheceu publicamente que a execução do plano pela Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma) foi precipitada.

Antes mesmo de as equipes da Prefeitura de Goiânia iniciarem os trabalhos de supressão de árvores, o vereador Fabrício Rosa já havia acionado formalmente o Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO). No dia 18 de maio, mesma data em que o Paço anunciou publicamente o projeto de revitalização do parque, o gabinete do parlamentar protocolou o ofício 596/2026, dirigido à promotoria competente para a defesa do meio ambiente, do urbanismo e do patrimônio histórico e paisagístico.

No documento, Fabrício Rosa encaminhou ao MPGO o Parecer Técnico nº 632/2026, emitido pela Gerência de Arborização Urbana da Amma (Gerarb/Dirapa), único documento acessível ao parlamentar no âmbito do processo SEI nº 25.17.000004435-4, da Prefeitura de Goiânia, cujo restante do procedimento permanece de acesso restrito.

Rosa alertou o Ministério Público para a ausência de pareceres de outras pastas vinculadas à ação, como a Secretaria Municipal de Planejamento e Urbanismo Estratégico (Seplan), e para a falta de fundamentação técnica e científica respaldasse, de forma clara, a necessidade de extirpação de cada uma das 48 árvores, bem como para a ausência de indicação de compensação ambiental real e devidamente embasada.

“Assim que ficamos sabendo, mandamos ofício ainda na segunda-feira (18/5) para o Ministério Público”, afirma o vereador. “Lá no Parque das Laranjeiras, o Ministério Público Ambiental esteve ao nosso lado.” Fabrício Rosa também solicitou acesso integral ao processo administrativo junto à Amma, mas o pedido não havia sido respondido pelo órgão até a data de protocolo do ofício endereçado ao MPGO.

Reação popular

Na quarta-feira (20), as equipes da prefeitura iniciaram os trabalhos de supressão de árvores na Alameda das Rosas. A reação da vizinhança e dos frequentadores do parque foi imediata. Moradores relataram que o início das derrubadas abriu clarões na arborização, o que compromete a formação de sombras e o frescor que a área oferece à população, especialmente nos períodos mais quentes do dia. Em pouco tempo, grupos de mobilização nas redes sociais já reuniam dezenas de pessoas indignadas.

Suspensão e protesto

Na sexta-feira (22), após reunião de um grupo de trabalho integrado por especialistas, entidades ligadas à questão ambiental e paisagística e representantes da própria Amma, os trabalhos de corte foram suspensos. A presidente do órgão, Zilma Peixoto, concordou com a elaboração de um laudo independente por parte de técnicos que contestam o parecer da agência. A condição estabelecida é que o documento seja apresentado com urgência e acompanhado da devida Anotação de Responsabilidade Técnica (ART).

No domingo (24), moradores e frequentadores do parque se reuniram em frente à entrada do Zoológico de Goiânia para uma caminhada em defesa das árvores.

Prefeito reconhece precipitação

No sábado (23), o prefeito Sandro Mabel reconheceu publicamente que o início das derrubadas foi precipitado, ao afirmar que o tipo de impacto provocado não deveria ter sido feito daquela forma. Ainda assim, Mabel defendeu a necessidade de retirada de alguns exemplares e condicionou a manutenção de outros à apresentação de laudo técnico independente com responsabilidade formal dos signatários.

Em seguida, o Ministério Público passou a atuar no caso. O promotor de Justiça Marcelo Fernandes de Melo apresentou pedido de tutela de urgência na Vara da Fazenda Pública Municipal para barrar a remoção das árvores. O representante do MPGO apontou a ausência de estudos ambientais detalhados e o fato de que a lista de exemplares a serem suprimidos incluía mudas e espécimes jovens.

Parecer da Amma

O Parecer Técnico nº 632/2026, assinado pelo biólogo Leandro Georges de Paula, pela bióloga Wanessa Carolina Silva de Castro e pela engenheira agrônoma Jarina Padial Machado, todos da Gerarb, e referendado pelo diretor da Dirapa, Luciano Carlos de Andrade, recomenda o corte de 48 exemplares arbóreos distribuídos em três trechos ao longo do entorno do Parque Lago das Rosas.

As justificativas apresentadas pela Amma no parecer técnico incluem comprometimento fitossanitário, ataque do coleóptero Euchroma gigantea, presença de fungos, cupins, necroses, conflito com fiação elétrica e, em parte dos casos, necessidade de abertura de espaço para estruturas do projeto de revitalização, como os denominados pet places.

Como contrapartida ambiental, o parecer prevê o plantio de 112 mudas de diversas espécies ao longo do parque. O projeto tem previsão de uso de recursos de compensação ambiental provenientes da empresa privada responsável pela revitalização do Lago das Rosas.

Fabrício Rosa acompanha o caso

Para Fabrício Rosa, o episódio do Lago das Rosas não é um caso isolado. O parlamentar aponta que o corte das árvores faz parte de um padrão mais amplo da gestão Mabel, que, em sua avaliação, tem sistematicamente comprometido o patrimônio ambiental e paisagístico de Goiânia.

“Nós vivemos em um dos biomas mais biodiversos do planeta, com mais de 20 mil espécies nativas, e ele está ameaçado. Esse é o contexto global. Esse é o contexto do Centro-Oeste. Falando de Goiânia, vivemos num contexto em que um prefeito prefere a grama sintética no lugar da grama natural”, afirma o vereador.

Fabrício Rosa lembra que já enfrentou situação semelhante no Parque das Laranjeiras, onde a gestão municipal tentou eliminar calçadas, jardins e canteiros. “A gente disse: ‘Não vai não!’. E conseguimos fazer o prefeito recuar”, recorda.

O vereador também menciona o projeto de abertura de uma via no interior do Parque Flamboyant. “Nós vamos assumir a paternidade e a maternidade do olho d’água que nasce dentro do parque. Ele quer passar uma rua afetando a existência daquelas águas. O contexto é gravíssimo.”

Histórico recente

Ao comentar o caso do Lago das Rosas, Fabrício Rosa lamenta o histórico de supressão de praças em diferentes bairros da Capital ao longo dos últimos anos. “Goiânia já destruiu praças e avenidas. A Praça Walter Santos, a Praça Nova Suíça, várias outras pequenas praças da nossa cidade foram assassinadas. É o contexto de um prefeito que retira árvores do Setor Oeste, no Jardim América, que decepa as nossas irmãs, as nossas amigas que são as árvores”, alerta o vereador.

Depois de questionar os interesses por trás de cada uma dessas intervenções, Fabrício Rosa lembra que a cidade precisa preservar suas áreas verdes. “Prefeito Mabel, você fala em cidade inteligente. Pois eu digo que cidade inteligente é cidade que tem árvore. Cidade inteligente é cidade de gente inteligente.”

Para além da suspensão dos cortes no Lago das Rosas, o vereador aposta na mobilização popular para impedir os desmandos da gestão Mabel. “Vamos fazer um ato de união entre moradores, frequentadores, parlamentares e associações. E vamos dizer: nenhuma árvore a menos. Toda árvore importa. Nenhuma árvore a menos”, pontua Fabrício Rosa.

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