{"provider_url": "https://www.goiania.go.leg.br", "title": "Hist\u00f3ria", "html": "<h2><span><span><strong>A C\u00e2mara Municipal\u00a0\u00e9 onde se consolida o poder legislativo de Goi\u00e2nia.</strong></span></span></h2>\r\n<p class=\" \"><span>Atualmente ela \u00e9 composta por 37 vereadores, eleitos pelo voto. A C\u00e2mara \u00e9 administrada por uma Mesa Diretora eleita no primeiro dia do in\u00edcio de uma legislatura, que dura dois anos. </span></p>\r\n<h3><span><span><strong>O vereador \u00e9 a s\u00edntese do povo </strong></span></span></h3>\r\n<p align=\"justify\" class=\" \"><span>O vereador tem\u00a0como fun\u00e7\u00e3o\u00a0fiscalizar e assessorar o Poder Executivo em todos os momentos. Em contrapartida, ele \u00e9 fiscalizado e cobrado por toda a popula\u00e7\u00e3o - e n\u00e3o s\u00f3 pelos eleitores que lhe deram o mandato. Mas a miss\u00e3o do vereador vai mais longe. </span></p>\r\n<p align=\"justify\" class=\" \"><span>A outra fun\u00e7\u00e3o \u00e9 legislar. Ele \u00e9 o respons\u00e1vel por transformar em lei a vontade popular. A import\u00e2ncia de sua atua\u00e7\u00e3o como legislador \u00e9 o ponto alto da verdadeira democracia. O presente trabalho \u00e9 mais um exemplo da import\u00e2ncia da atua\u00e7\u00e3o do vereador. Enquanto cumpre o mandamento de ser a voz do povo, ele faz hist\u00f3ria. Basta ver como o Legislativo foi decisivo para a implanta\u00e7\u00e3o da capital, na d\u00e9cada de 30. E como retornou \u00e0 luta ap\u00f3s ser extinto em 1937 pela a\u00e7\u00e3o impositiva e ditatorial do ent\u00e3o presidente da Rep\u00fablica Get\u00falio Vargas.<br /><br /> De l\u00e1 para c\u00e1, foram oficialmente 15 legislaturas cumpridas, mais a atual. Uma vit\u00f3ria da democracia. E, para coroar esta vit\u00f3ria, nada mais oportuno que finalmente inaugurar uma sede nova, ampla, moderna, de f\u00e1cil acesso para a popula\u00e7\u00e3o e exemplo de obra social, que t\u00e3o bem representa.<br /><br /> Nas p\u00e1ginas deste site est\u00e1 uma parte important\u00edssima da hist\u00f3ria de Goi\u00e1s. Sabemos que ela n\u00e3o esgota o assunto. Ao contr\u00e1rio; abre a perspectiva para que outras pesquisas sejam feitas, novos fatos venham \u00e0 tona, e mais se busque a verdade dos acontecimentos vividos pelos pioneiros de nosso Estado e nossa cidade. E se assim o for, o objetivo primordial desta empreitada est\u00e1 cumprido.</span></p>\r\n<h2><span>O Come\u00e7o</span></h2>\r\n<h3><strong>O Decreto 510\u00a0instala o Poder Legislativo em Goi\u00e2nia</strong></h3>\r\n<p class=\" \">Logo ap\u00f3s o lan\u00e7amento da pedra fundamental da nova capital do Estado, Goi\u00e2nia, o ent\u00e3o governador Pedro Ludovico Teixeira assinou, no dia 20 de novembro de 1935, o Decreto de n\u00ba 510, que instituiu o Poder Legislativo Goianiense e marcou as elei\u00e7\u00f5es municipais para o dia 24 de junho de 1936.<br /><br />Sete conselheiros municipais foram nomeados: Germano Roriz, Pedro Arantes, Godofredo Leopoldino de Azevedo, Aar\u00e3o Augusto de Souza, Jo\u00e3o Augusto Roriz, Ant\u00f4nio Euz\u00e9bio Felipe e Milton Klopstock e Silva. Eles atuaram at\u00e9 a posse dos vereadores eleitos em 15 de outubro de 1936.</p>\r\n<h2 align=\"justify\">A Ditadura</h2>\r\n<h3><strong>O poder nasce, a ditadura derruba\u00a0</strong></h3>\r\n<p class=\" \">Apesar da cidade ter apenas dois anos, o governador Pedro Ludovico Teixeira justificou a cria\u00e7\u00e3o da primeira C\u00e2mara Municipal em virtude da grande \"multiplicidade de trabalhos\" e do expressivo aumento no n\u00famero de \"forasteiros\".\u00a0</p>\r\n<p class=\" \">Em 15 de outubro de 1936, sete vereadores foram eleitos: Licardino de Oliveira Ney, Jos\u00e9 Rodrigues de Moraes Filho, Jo\u00e3o Augusto Roriz, Milton Klopstock e Silva, Hermenegildo de Oliveira, Germano Roriz e Octac\u00edlio Fran\u00e7a.<br />Esses vereadores atuaram at\u00e9 o dia 10 de novembro de 1937, quando o \"golpe de Estado\", imposto pelo ent\u00e3o presidente Get\u00falio Vargas, fechou as portas dos legislativos de todo o Pa\u00eds.</p>\r\n<p class=\" \">A C\u00e2mara Municipal s\u00f3 foi oficial e novamente instalada dez anos depois. A solenidade aconteceu no sal\u00e3o de reuni\u00f5es da Assembl\u00e9ia Legislativa, no dia 6 de dezembro de 1947, com as presen\u00e7as do juiz eleitoral da 1\u00aa Zona, El\u00edsio Taveira, e respectivos vereadores, que na mesma data tomaram posse.</p>\r\n<h2 class=\" \">C\u00e2mara \u00e9 reinstalada</h2>\r\n<p align=\"justify\" class=\" \">A primeira sede ap\u00f3s a volta da C\u00e2mara foi \u00e0 avenida Goi\u00e1s, antigo pr\u00e9dio do jornal O Popular. A sess\u00e3o inicial aconteceu no dia 9 de dezembro de 1947.</p>\r\n<p align=\"justify\" class=\" \">Em seus pronunciamentos, os vereadores ressaltaram a import\u00e2ncia daquele poder. Para o vereador Alberto Xavier de Almeida (UDN), a instala\u00e7\u00e3o da C\u00e2mara representou a \"\u00faltima etapa de reconstitucionaliza\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds\".</p>\r\n<p align=\"justify\" class=\" \">Em 1947, o Partido Comunista havia sido cassado e caiu na ilegalidade. Com isso, os militantes da legenda foram obrigados a se filiar em outras agremia\u00e7\u00f5es. Na C\u00e2mara Municipal de Goi\u00e2nia, dois vereadores comunistas se viram for\u00e7ados a se filiar \u00e0 UDN. Um foi Alberto Xavier de Almeida; o outro, Jos\u00e9 Nonato. Almeida protestou na ocasi\u00e3o contra o fechamento de jornais e a cassa\u00e7\u00e3o de mandatos de parlamentares.</p>\r\n<p align=\"justify\" class=\" \">Em todo caso, o Pa\u00eds se preparava para viver uma nova fase e um clima de redemocratiza\u00e7\u00e3o come\u00e7ava a tomar conta do sentimento brasileiro. Esse clima foi muito bem refletido na rec\u00e9m instalada C\u00e2mara Municipal de Goi\u00e2nia.</p>\r\n<p align=\"justify\" class=\" \">Nas atas das primeiras sess\u00f5es, constam v\u00e1rios discursos de vereadores que, mesmo n\u00e3o sendo ligados ao comunismo, usavam a tribuna constantemente para protestar contra o fechamento de jornais e a cassa\u00e7\u00e3o de mandatos de parlamentares e para reiterar a import\u00e2ncia dos poderes legislativos.<br />Neste clima de euforia, as sess\u00f5es da 1\u00aa Legislatura foram marcadas por calorosas e acirradas discuss\u00f5es. Os embates na tribuna eram constantes, principalmente entre os vereadores de partidos de direita e os de esquerda.</p>\r\n<p align=\"justify\" class=\" \"><span>Presidente da C\u00e2mara Municipal na 1\u00aa Legislatura, Odon de Morais com os vereadores Jos\u00e9 Fernandes Peixoto, Milton de Souza Mendon\u00e7a e Jos\u00e9 Rodrigues Naves J\u00fanior.</span></p>\r\n<p align=\"justify\" class=\" \"><span></span><span>O ex-vereador Odon de Morais lembra que o relacionamento da C\u00e2mara com o Executivo era marcado por muitas desaven\u00e7as. A hist\u00f3ria deixa transparecer que a C\u00e2mara se sentia na obriga\u00e7\u00e3o de ser totalmente independente do outro poder. \"Os advers\u00e1rios pol\u00edticos eram inimigos de fato, mas em torno das quest\u00f5es que beneficiavam a comunidade a disputa era deixada de lado\", frisa Odon.</span></p>\r\n<h2><span>Sonho e Realidade</span></h2>\r\n<p align=\"justify\" class=\"FONTE_PADRAO\">A 1\u00aa Legislatura aprovou lei e ditou os rumos do desenvolvimento da capital. Comparados aos dias de hoje, os primeiros projetos parecem significar muito pouco, mas naquele per\u00edodo tiveram uma import\u00e2ncia fundamental na melhoria da qualidade de vida da popula\u00e7\u00e3o goianiense, pois a cidade estava sendo constru\u00edda e n\u00e3o contava com infraestrutura para atender os cerca de 40 mil habitantes.</p>\r\n<p align=\"justify\" class=\"FONTE_PADRAO\">Uma caracter\u00edstica marcante dos primeiros mandatos do Legislativo goianiense era a dedica\u00e7\u00e3o incans\u00e1vel de seus representantes. Na \u00e2nsia de atender \u00e0s necessidades comunit\u00e1rias - que eram incont\u00e1veis, j\u00e1 que a cidade acabara de ser fundada -, os primeiros vereadores se dedicavam exclusivamente ao exerc\u00edcio parlamentar, mesmo recebendo um sal\u00e1rio irris\u00f3rio na \u00e9poca.</p>\r\n<p align=\"justify\" class=\"FONTE_PADRAO\">As sess\u00f5es da C\u00e2mara eram ininterruptas. Ocorriam de segunda a sexta-feira e n\u00e3o tinham hora para terminar, podendo muitas vezes atravessar a madrugada. Os hor\u00e1rios de in\u00edcio das sess\u00f5es eram r\u00edgidos. O recesso natalino de 1947 foi curt\u00edssimo, tendo sido realizadas duas sess\u00f5es entre as festas de Natal e Ano Novo.\u00a0</p>\r\n<p align=\"justify\" class=\"FONTE_PADRAO\"><span>Para o advogado, escritor e vereador na C\u00e2mara por duas legislaturas, Manuel Messias Tavares, por ser pioneira, a 1\u00aa Legislatura, certamente, foi a que teve mais trabalho. Ele ressalta que foram esses vereadores que criaram as primeiras leis e tomaram provid\u00eancias relacionadas ao progresso de Goi\u00e2nia. \"A ela coube as tarefas primordiais e que ditaram o desenvolvimento do Estado\", destaca Manuel Messias Tavares recorda que na 3\u00aa Legislatura, em 1955, quando ele exerceu seu mandato de vereador, as dificuldades ainda eram enormes. O munic\u00edpio n\u00e3o dispunha de recursos para realizar obras de maior porte, pois somente veio adquirir sua autonomia pol\u00edtico-financeira no governo H\u00e9lio Seixo de Brito, em 1962. O Governo do Estado tamb\u00e9m recebia pouca ajuda do Governo Federal e n\u00e3o conseguia atender sozinho tantas necessidades.\u00a0</span></p>\r\n<p align=\"justify\" class=\"FONTE_PADRAO\"><span></span><span>Na 1\u00aa Legislatura, foram aprovados importantes projetos, como para asfaltamento de ruas, instala\u00e7\u00e3o de telefones p\u00fablicos, redes de \u00e1gua e energia; e para a constru\u00e7\u00e3o da ag\u00eancia de Correios e Tel\u00e9grafos de Campinas, do Mercado Municipal de Campinas e da Esta\u00e7\u00e3o Rodovi\u00e1ria de Goi\u00e2nia, al\u00e9m de outras necessidades b\u00e1sicas. \u00a0</span></p>\r\n<p align=\"justify\" class=\"FONTE_PADRAO\"><span></span><span>Segundo Odon Rodrigues de Morais, foi nessa \u00e9poca que a C\u00e2mara aprovou a compra do terreno da Pra\u00e7a C\u00edvica para a instala\u00e7\u00e3o da sede da Prefeitura de Goi\u00e2nia. O primeiro necrot\u00e9rio de Goi\u00e2nia foi solicitado por meio de requerimento da vereadora Ana Pereira Braga (UDN) em 21 de janeiro de 1948. Nesse mesmo ano, o prefeito Eurico Viana apresentou of\u00edcio para que as farm\u00e1cias de Goi\u00e2nia funcionassem em plant\u00f5es noturnos.</span></p>\r\n<h2><span>Democracia e a confec\u00e7\u00e3o das primeiras leis</span></h2>\r\n<h3><span><strong>Transi\u00e7\u00e3o para a democracia</strong></span></h3>\r\n<p align=\"justify\" class=\" \"><span><strong>\u00a0</strong>Foi a 2\u00aa Legislatura que aprovou a Semana Inglesa, com o com\u00e9rcio fechando \u00e0s 13 horas no s\u00e1bado. Nesta \u00e9poca, os policiais tentaram impedir uma manifesta\u00e7\u00e3o de trabalhadores rurais no Cine Campinas, pr\u00f3ximo \u00e0 Pra\u00e7a Joaquim L\u00facio.</span></p>\r\n<p align=\"justify\" class=\" \"><span>Segundo o escritor e jornalista Luiz Contart, que foi vereador neste per\u00edodo, os incidentes n\u00e3o foram maiores porque houve interven\u00e7\u00e3o de autoridades, inclusive da C\u00e2mara Municipal.</span></p>\r\n<h3 align=\"justify\" class=\" \">Dos anos 30 aos dias de hoje</h3>\r\n<p align=\"justify\" class=\"FONTE_PADRAO\">A C\u00e2mara Municipal teve presen\u00e7a marcante na vida de Goi\u00e2nia. A ess\u00eancia da atua\u00e7\u00e3o parlamentar em n\u00edvel municipal vem acompanhando a trajet\u00f3ria da Capital do Estado desde a d\u00e9cada de 30, quando foram tra\u00e7adas as diretrizes de seu projeto urban\u00edstico, aos dias de hoje.</p>\r\n<p align=\"justify\" class=\"FONTE_PADRAO\"><span>Os projetos de lei, os requerimentos e as proposituras em favor da comunidade tinham praticamente o mesmo teor dos atuais. O que mudou foi a dimens\u00e3o e o conceito de prioridade. N\u00e3o havia projetos de grande vulto, j\u00e1 que a dificuldade na obten\u00e7\u00e3o de recursos n\u00e3o permitia que a C\u00e2mara Municipal votasse projetos que exigiam grandes investimentos ou propostas no or\u00e7amento que significassem despesas.</span></p>\r\n<p align=\"justify\" class=\"FONTE_PADRAO\"><span></span><span>Mesmo assim, os vereadores conseguiram colocar em vota\u00e7\u00e3o projetos importantes para a comunidade, como limpeza de ruas, pedidos de asfaltamento e outros benef\u00edcios voltados \u00e0 infraestrutura da cidade. Cabia \u00e0 prefeitura atender ou n\u00e3o aos pedidos dos vereadores. Entretanto, na maioria das vezes, como eram projetos essencialmente voltados \u00e0s necessidades da popula\u00e7\u00e3o, eles eram aprovados quase sempre em primeira vota\u00e7\u00e3o.</span></p>\r\n<p align=\"justify\" class=\"FONTE_PADRAO\"><span></span><span>Assim, desde os primeiros tempos de C\u00e2mara Municipal, os parlamentares n\u00e3o s\u00e3o somente respons\u00e1veis pela cria\u00e7\u00e3o de leis, exercem tamb\u00e9m outras fun\u00e7\u00f5es, entre elas, de certa forma, a de assistente social.</span></p>\r\n<h2><span>Haroldo Gurgel</span></h2>\r\n<h3><span>Assassinato de jornalista movimenta a C\u00e2mara</span></h3>\r\n<p class=\" \"><span>Apesar de estar vivendo um per\u00edodo de redemocratiza\u00e7\u00e3o, o Pa\u00eds ainda enfrentava alguns resqu\u00edcios da ditadura Vargas. O ex-vereador e escritor Luiz Contart observa que em Goi\u00e1s n\u00e3o era diferente. As autoridades goianas eram protegidas por jagun\u00e7os, que sempre acabavam cometendo excessos. O assassinato do jornalista Haroldo Gurgel, do jornal O Momento, foi um exemplo que refletiu essa pr\u00e1tica. Segundo Contart, Haroldo Gurgel sempre foi pol\u00eamico e destemido. No jornal, ele n\u00e3o poupava cr\u00edticas a quem quer que fosse e isso incomodava muitas das autoridades pol\u00edticas da \u00e9poca.\u00a0</span></p>\r\n<p class=\" \"><span>Quando ocorreu o assassinato, em 1953, Luiz Contart ocupava a presid\u00eancia da C\u00e2mara Municipal e estava na Europa, representando a Casa no Festival Internacional da Juventude. Ele conta que quando desembarcou no Rio de Janeiro, o motorista do t\u00e1xi em que ele entrou foi logo relatando o fato, que alcan\u00e7ou grande repercuss\u00e3o em todo o Pa\u00eds. Gurgel foi crivado de balas num terreno baldio onde hoje est\u00e1 instalada a ag\u00eancia central do Banco do Estado de Goi\u00e1s, na Pra\u00e7a do Bandeirante.</span></p>\r\n<p class=\" \"><span>Segundo informa\u00e7\u00f5es da \u00e9poca, alguns jagun\u00e7os tomaram as dores do diretor do Departamento de For\u00e7a e Luz Estadual, Pedro Arantes, que se sentiu ofendido com uma mat\u00e9ria publicada em O Momento e que levava o seguinte t\u00edtulo: \"O homem voltou e deu a luz\". Gurgel, em sua mat\u00e9ria, abordou ironicamente um epis\u00f3dio ocorrido com Pedro Arantes. O diretor tinha ido ao dentista para fazer um tratamento e, na ocasi\u00e3o, faltou energia el\u00e9trica. Arantes ent\u00e3o telefonou para v\u00e1rios locais e a volta da energia foi providenciada rapidamente. O jornalista ficou sabendo do acontecimento e resolveu contar a hist\u00f3ria.</span></p>\r\n<p class=\" \"><span>O assassinato de Haroldo Gurgel causou como\u00e7\u00e3o e revolta popular. Estudantes, militantes de partidos de esquerda e populares realizaram um grande protesto.</span></p>\r\n<h2><span>As primeiras legislaturas</span></h2>\r\n<h3><span><span class=\"FONTE_PADRAO\"><strong>Momentos dif\u00edceis</strong></span></span></h3>\r\n<p align=\"justify\" class=\"FONTE_PADRAO\">Para os antigos vereadores e funcion\u00e1rios da C\u00e2mara, as tr\u00eas primeiras legislaturas marcaram a hist\u00f3ria do Legislativo por seu car\u00e1ter pioneiro e totalmente voltado aos interesses coletivos.</p>\r\n<p align=\"justify\" class=\"FONTE_PADRAO\">Mas todas as legislaturas tiveram sua devida import\u00e2ncia em seu determinado tempo e espa\u00e7o. A 4\u00aa Legislatura (1959/1963) \u00e9 que contou com os nomes mais expressivos da vida p\u00fablica atual de Goi\u00e1s. Entre eles est\u00e3o Iris Rezende Machado, Nion Albernaz, Jos\u00e9 Luiz Bittencourt e Heli Mesquita.</p>\r\n<p align=\"justify\" class=\"FONTE_PADRAO\"><span>Na 5\u00aa Legislatura (1963/1966), com o golpe de 64, a C\u00e2mara come\u00e7ou a enfrentar suas primeiras dificuldades com o regime ditatorial. Na 6\u00aa Legislatura, apenas dois partidos dominavam a C\u00e2mara: a Arena e MDB. Iris Rezende foi eleito prefeito pelo MDB, que tamb\u00e9m fez 12 vereadores, contra apenas cinco da Arena. Mas foi no in\u00edcio da d\u00e9cada de 70, durante as 6\u00aa e 7\u00aa legislaturas, que a C\u00e2mara enfrentou seu per\u00edodo mais conturbado.</span></p>\r\n<p align=\"justify\" class=\"FONTE_PADRAO\"><span></span><span>A Arena \u00e9 que tinha a maioria, com nove vereadores contra oito do MDB. De acordo com Manuel Messias Tavares, vereador naquele per\u00edodo pelo MDB, a C\u00e2mara viveu momentos de temor. Por causa da den\u00fancia de um vereador \u2013 que ele prefere preservar o nome \u2013, a Comiss\u00e3o Geral de Investiga\u00e7\u00e3o (CGI) fez uma total varredura em todas as legislaturas e houve muitas apreens\u00f5es. A inten\u00e7\u00e3o do referido vereador era que o governo investigasse apenas a presid\u00eancia de ent\u00e3o, mas o fato acabou chamando a aten\u00e7\u00e3o dos militares para a C\u00e2mara Municipal. O clima ficou tenso e a Casa vivia constantemente sob a sombra do medo de ter suas portas fechadas. Mas os vereadores t\u00eam orgulho de contar que o Legislativo n\u00e3o se curvou e exerceu importante papel como um \u00f3rg\u00e3o de defesa da democracia.</span></p>\r\n<p align=\"justify\" class=\"FONTE_PADRAO\"><span></span><span>A presid\u00eancia da C\u00e2mara, no entanto, esteve amea\u00e7ada em outra oportunidade. O presidente da Casa era Zeuxis Gomes de Morais. Houve uma reforma administrativa na prefeitura e ningu\u00e9m ousava fazer o mesmo na C\u00e2mara. Coube a Zeuxis a tarefa, o que quase o levou \u00e0 cassa\u00e7\u00e3o. Isso porque ele aproveitou algumas pessoas, como Jo\u00e3o Natal, do MDB. Foi denunciado ao Regime Militar, embora houvesse verdadeiramente a necessidade da reforma. Zeuxis contava muito com o apoio de todos os vereadores. Disse que se eles lhe dessem a cobertura necess\u00e1ria - o que realmente aconteceu -, faria uma reforma nos moldes da prefeitura. Jo\u00e3o Natal estava \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do Legislativo como delegado de pol\u00edcia concursado, e foi aproveitado como procurador da C\u00e2mara.</span></p>\r\n<p align=\"justify\" class=\"FONTE_PADRAO\"><span></span><span>E justamente j\u00e1 prevendo complica\u00e7\u00f5es foi que Zeuxis resolveu ent\u00e3o aproveitar todos os funcion\u00e1rios do Estado \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o da C\u00e2mara e criar um quadro especial para vereador funcion\u00e1rio. Foi denunciado e confessou tudo. Questionaram principalmente o caso de Jo\u00e3o Natal. Ao final, o entrevistador lhe disse: \"O senhor \u00e9 um homem de bem, mas se comprometeu muito. Vou lhe mostrar quem foi que pediu para fazer essa investiga\u00e7\u00e3o.\"\u00a0</span></p>\r\n<p align=\"justify\" class=\"FONTE_PADRAO\"><span></span><span>Qual n\u00e3o foi a surpresa de Zeuxis ao ver numa c\u00f3pia de telex a assinatura do presidente da Rep\u00fablica, Ernesto Geisel. Era caso para cassa\u00e7\u00e3o. A recomenda\u00e7\u00e3o era ir a Bras\u00edlia e procurar os amigos.</span></p>\r\n<p align=\"justify\" class=\"FONTE_PADRAO\"><span></span><span>Zeuxis chamou Jo\u00e3o Natal e contou-lhe a hist\u00f3ria. Natal e outras duas procuradoras da C\u00e2mara lhe fizeram uma bel\u00edssima defesa. Ele foi a Bras\u00edlia, procurou Petr\u00f4nio Portela e contou tudo. Portela leu a defesa e perguntou-lhe se teria condi\u00e7\u00f5es de se defender oralmente utilizando os mesmos argumentos. Zeuxis disse que sim, no que ouviu a explica\u00e7\u00e3o do grande articulador nacional: \"\u00c9, porque l\u00e1 o que vai valer s\u00e3o suas rea\u00e7\u00f5es. Topa?\"\u00a0</span></p>\r\n<p align=\"justify\" class=\"FONTE_PADRAO\"><span></span><span>Portela telefonou para Armando Falc\u00e3o, pediu a entrevista e Zeuxis foi para o SNI. Deu de cara com Jo\u00e3o Batista Figueiredo, que foi duro no question\u00e1rio. A uma certa altura o vereador teve o direito de falar e mandou brasa.\u00a0</span></p>\r\n<p align=\"justify\" class=\"FONTE_PADRAO\"><span></span><span>Entre outras coisas, disse que estava sendo perseguido pelo coronel Danilo S\u00e1 da Cunha Melo, secret\u00e1rio de Seguran\u00e7a (que queria pegar mesmo era o Jo\u00e3o Natal). Tamb\u00e9m perguntou por que \u00e9 que o SNI tinha tanta anota\u00e7\u00e3o que o condenava e n\u00e3o tinha anotado tudo o que j\u00e1 fizera pela revolu\u00e7\u00e3o.\u00a0</span></p>\r\n<p align=\"justify\" class=\"FONTE_PADRAO\"><span></span><span>Quando terminou, a resposta de Figueiredo foi pegar o telefone e ligar para Danilo. Repetiu tudo o que Zeuxis lhe dissera e repreendeu fortemente o secret\u00e1rio. Por um triz, o vereador estava salvo.</span></p>\r\n<p align=\"justify\" class=\"FONTE_PADRAO\"><span></span><span>Por tudo isso, pode-se dizer que em todos os seus mandatos, a C\u00e2mara Municipal de Goi\u00e2nia procurou sempre atender aos anseios da comunidade, cumprindo suas atribui\u00e7\u00f5es de fiscalizar, assessorar o poder Executivo e elaborar leis em defesa dos cidad\u00e3os.\u00a0</span></p>\r\n<p align=\"justify\" class=\"FONTE_PADRAO\"><span></span><span>Nestes 50 anos de atua\u00e7\u00e3o, a C\u00e2mara conseguiu se transformar num canal de comunica\u00e7\u00e3o intermediando o di\u00e1logo entre a popula\u00e7\u00e3o e os poderes constitu\u00eddos. Uma prova disso s\u00e3o os resultados surgidos diretamente do eleitorado.\u00a0</span></p>\r\n<p align=\"justify\" class=\"FONTE_PADRAO\"><span></span><span>Da Casa sa\u00edram prefeitos, deputados estaduais e federais, governadores, secret\u00e1rios, senadores, ministro e ocupantes de outros importantes cargos pol\u00edticos. Ap\u00f3s cinco d\u00e9cadas de servi\u00e7os prestados aos goianos, a C\u00e2mara se firma como um \u00f3rg\u00e3o que representa a voz do povo.</span></p>\r\n<h2><span><span class=\"FONTE_PADRAO\"><strong>Homens de Ouro</strong></span></span></h2>\r\n<h3><span><span class=\"FONTE_PADRAO\"><strong><strong>Os sete homens de ouro\u00a0</strong></strong></span></span></h3>\r\n<p class=\" \"><span class=\"FONTE_PADRAO\">Houve um momento na C\u00e2mara em que um grupo de sete vereadores exerceram grande influ\u00eancia nos destinos da Casa e da capital.</span></p>\r\n<p class=\" \"><span class=\"FONTE_PADRAO\">Eram Os Sete Homens de Ouro: Br\u00e1ulio Afonso de Morais, Darcizo de Souza (depois, Jos\u00e9 Luciano), Germino Alves Pereira, Jos\u00e9 Eduardo Nascimento, Pedro Xavier Teixeira, Ubaldino Rodrigues Rocha e Zeuxis Gomes de Morais. Tanto fizeram que quase elegeram o seu l\u00edder, Zeuxis de Morais - ex\u00edmio articulador, conhecido como o Portelinha de Goi\u00e1s (refer\u00eancia a Petr\u00f4nio Portela), prefeito de Goi\u00e2nia.</span></p>\r\n<p class=\" \"><span class=\"FONTE_PADRAO\">A for\u00e7a dos Sete Homens de Ouro se dava porque, com mais dois votos, alcan\u00e7avam a maioria na C\u00e2mara, que tinha apenas 17 vereadores. Pois esse grupo, quando da escolha do novo governador do Estado, no final do governo Irapuan Costa J\u00fanior, provocou uma s\u00e9rie de encontros com todos os postulantes ao cargo. Nesses encontros, os vereadores faziam v\u00e1rias exig\u00eancias, como participa\u00e7\u00e3o maior de Goi\u00e2nia no governo em postos de interesse da cidade, que na \u00e9poca eram geralmente dirigidos por pessoas de outras localidades. Uma vit\u00f3ria expressiva da \u00e9poca foi a realiza\u00e7\u00e3o de um grande congresso estadual de vereadores, idealizado por Zeuxis. Participaram do evento o Tribunal de Contas do Estado e a Secretaria Estadual do Interior e Justi\u00e7a. E o resultado foi a autonomia dos Legislativos municipais e a elabora\u00e7\u00e3o de 80 or\u00e7amentos de munic\u00edpios goianos.</span></p>\r\n<p class=\" \"><span class=\"FONTE_PADRAO\">Os Sete Homens de Ouro nunca perderam uma causa dentro do Legislativo. Tiveram atua\u00e7\u00e3o decisiva na elei\u00e7\u00e3o de tr\u00eas presidentes da Casa - Paulo Silva, Daniel Ant\u00f4nio e Br\u00e1ulio de Morais - e na cassa\u00e7\u00e3o de outro, Jos\u00e9 Elias. Foram eles, por exemplo, que conseguiram aprovar todas as leis de uso do solo da Capital. Por conta dessa for\u00e7a, Zeuxis concorreu diretamente com H\u00e9lio Mauro \u00e0 indica\u00e7\u00e3o de prefeito de Goi\u00e2nia, que seria feita pelo governador Irapuan Costa J\u00fanior. N\u00e3o fosse uma interven\u00e7\u00e3o de Jarbas Passarinho no \u00faltimo momento, Zeuxis teria se tornado prefeito. Em lugar disso, virou secret\u00e1rio de Obras de H\u00e9lio, a quem Irapuan tinha pedido que se aproximasse dos Sete Homens de Ouro.</span></p>\r\n<p class=\" \"><span class=\"FONTE_PADRAO\">Mais tarde, na 12\u00aa Legislatura, um outro grupo tamb\u00e9m atuou com destaque na C\u00e2mara. Era formado por onze vereadores, os mesmos que quase foram impedidos de assumir suas vagas na Casa porque a Justi\u00e7a entendia que Goi\u00e2nia tinha menos de um milh\u00e3o de habitantes. Por for\u00e7a do Art. 4\u00ba, Res. N\u00ba 26, de 10/12/91, do Regimento Interno, eles assumiram e passaram a atuar em bloco, mantendo a unidade que os levaram a buscar juntos o direito de cumprir o mandato aprovado pelas urnas, formando um Legislativo com 33 vereadores.</span></p>\r\n<h2 class=\"FONTE_PADRAO\"><span class=\"FONTE_PADRAO\">Curiosidades</span></h2>\r\n<h3><span class=\"FONTE_PADRAO\"><strong>Curiosidades</strong></span></h3>\r\n<p align=\"justify\" class=\" \">Nem s\u00f3 de dificuldades e sisudez viveram os vereadores que passaram pelo Legislativo goianiense. H\u00e1 relatos engra\u00e7ados e curiosos que ilustram bem como era o dia-a-dia da C\u00e2mara.</p>\r\n<p align=\"justify\" class=\" \"><span>A seguir, uma sele\u00e7\u00e3o de alguns dos \"causos\" que nunca foram esquecidos e que merecem um registro especial na Hist\u00f3ria de Goi\u00e2nia.</span></p>\r\n<h3 align=\"justify\">Madrugar \u00e9 preciso</h3>\r\n<p align=\"justify\">Na 1\u00aa Legislatura, os candidatos Maria Jos\u00e9 C\u00e2ndido de Oliveira e Agenor Rodrigues Chaves, do PSD, tiveram exatamente o mesmo n\u00famero de votos. O caso acabou indo parar na Justi\u00e7a, para que se decidisse quem tinha direito \u00e0 vaga. O impasse durou cerca de seis meses. Enquanto isso, o vereador que chegasse primeiro era quem ocupava o assento no Plen\u00e1rio. Foi uma situa\u00e7\u00e3o engra\u00e7ada, porque os dois ficavam disputando quem se sentava na cadeira diariamente. O crit\u00e9rio avaliado foi a idade dos candidatos. O mais curioso \u00e9 que ambos eram nascidos no mesmo ano. A disputa tamb\u00e9m foi acirrada para provar quem era o mais velho. O ex-vereador Odon Rodrigues de Morais lembra que o fato foi mais inusitado ainda porque era a primeira vez que se via uma mulher brigando para ser mais velha. Ele conta que at\u00e9 escreveu um artigo sobre assunto e enviou para a revista O Cruzeiro. O texto foi publicado e teve grande repercuss\u00e3o.</p>\r\n<h3 align=\"justify\">Pedro Teixeira</h3>\r\n<p align=\"justify\">Vereador muito dedicado, com fama de conciliador e bom articulador, Pedro Xavier Teixeira (Arena) ocupou tamb\u00e9m a presid\u00eancia da Casa em 1971/1972, considerado um per\u00edodo muito dif\u00edcil para o Legislativo. Apesar disso, conseguiu exercer seus dois anos na presid\u00eancia com desenvoltura e firmeza, pois tinha o respaldo de seus pares. Tornou-se tamb\u00e9m uma figura folcl\u00f3rica por ter um temperamento forte e ser, \u00e0s vezes, brig\u00e3o. Mas foram as express\u00f5es que ele utilizava em sua fala que o tornaram mais famoso. \"Vossa excel\u00eancia \u00e9 um leproso moral\", foi uma de suas p\u00e9rolas dirigidas a outro vereador. O apelido de Pedro Besteira teria surgido em uma partida de futebol. Pedro era goleiro do Goi\u00e1s Esporte Clube. Nessa partida, ele resolveu abandonar o gol e saiu driblando os advers\u00e1rios na tentativa de marcar um gol em favor de sua equipe. Mas um dos jogadores do outro time tomou-lhe a bola, aproveitou a aus\u00eancia dele no gol e marcou.</p>\r\n<p align=\"justify\"><span>A partir deste epis\u00f3dio, os amigos passaram a cham\u00e1-lo de Pedro Besteira.</span></p>\r\n<h2>Perfis</h2>\r\n<h3>Boaventura Moreira de Andrade</h3>\r\n<p align=\"justify\" class=\"FONTE_PADRAO\">Eleito por cinco legislaturas consecutivas e sempre muito bem votado, Boaventura Moreira de Andrade \u00e9 considerado a figura mais folcl\u00f3rica da hist\u00f3ria do Legislativo goianiense. Defensor das causas populares, tornou-se o fiel representante do povo carente. Seu jeito simples e sua profiss\u00e3o de pedreiro - e suas express\u00f5es engra\u00e7adas -, n\u00e3o o impediram de se tornar um dos maiores representantes pol\u00edticos do Estado. Ao contr\u00e1rio. Com pouca instru\u00e7\u00e3o, era um autodidata da pol\u00edtica. Combativo, bom articulador, sempre defendia suas id\u00e9ias utilizando argumentos que faziam calar at\u00e9 mesmo o mais brilhante orador.</p>\r\n<p align=\"justify\" class=\"FONTE_PADRAO\">Para ex-vereadores e ex-funcion\u00e1rios da C\u00e2mara, Boaventura Moreira de Andrade sempre foi um legislador de uma integridade inquestion\u00e1vel e que defendia a comunidade com unhas e dentes. Seu sal\u00e1rio era mensalmente distribu\u00eddo entre funer\u00e1rias, farm\u00e1cias, cart\u00f3rios, m\u00e9dicos e dentistas que prestavam servi\u00e7o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o carente.<br /><br />Mas o que tornou mesmo Boaventura uma figura folcl\u00f3rica foi o seu modo de se expressar, por utilizar em seus discursos e considera\u00e7\u00f5es, express\u00f5es engra\u00e7adas que acabavam se transformando em piadas. Como bom pedreiro, Boaventura n\u00e3o hesitava em auxiliar os trabalhadores bra\u00e7ais da prefeitura na conclus\u00e3o de obras; junto com eles, cavava valetas, abria estradas e constru\u00eda casas. E tem mais: ele era um excelente mergulhador e n\u00e3o foram raras as vezes em que foi chamado de madrugada para socorrer ou resgatar v\u00edtimas de afogamento no rio Meia Ponte.</p>\r\n<p align=\"justify\" class=\"FONTE_PADRAO\">Os erros de portugu\u00eas cometidos por Boaventura durante os discursos eram vistos com naturalidade e at\u00e9 chegavam a lhe conferir mais carisma. Mas em uma ocasi\u00e3o as dificuldades com o idioma foram registradas por um jornalista baiano, que criticou os goianos por terem representantes semi-analfabetos. Na \u00e9poca, o presidente da C\u00e2mara era Odon Rodrigues de Morais, pioneiro na Casa e vereador por quatro legislaturas. Ele conta que fez quest\u00e3o de responder a afronta do jornalista baiano escrevendo um artigo para o jornal, ressaltando que Boaventura era um dos melhores representantes da C\u00e2mara e lembrando que, curiosamente, tamb\u00e9m era um baiano. \"Se voc\u00eas baianos n\u00e3o souberam reconhecer a figura brilhante que h\u00e1 por tr\u00e1s desse homem simples, n\u00f3s goianos n\u00e3o perdemos tempo\", argumentou em seu artigo.</p>\r\n<p align=\"justify\" class=\"FONTE_PADRAO\">O advogado, escritor, e vereador na C\u00e2mara pelo PSB na 3\u00aa Legislatura, Manuel Messias Tavares, lembra que Boaventura sempre teve muito prest\u00edgio no bairro onde morou, a Vila Nova, tanto que a principal pra\u00e7a do local leva o seu nome. Manuel Messias conta que in\u00fameras fam\u00edlias carentes que n\u00e3o podiam sepultar os seus mortos receberam a ajuda de Boaventura, tanto que uma sala de vel\u00f3rios, localizada nas proximidades do Cemit\u00e9rio Santana, em Campinas, tamb\u00e9m recebeu o seu nome.</p>\r\n<p align=\"justify\" class=\"FONTE_PADRAO\">A morte de Boaventura, ocorrida em 1965, durante o exerc\u00edcio de seu quinto mandato, encheu de tristeza o Legislativo e a popula\u00e7\u00e3o goianiense. Seu meio de locomo\u00e7\u00e3o era uma bicicleta, que o acompanhou em todos os cinco mandatos. Mas foi com ela que ele encontrou a morte. Ao se dirigir a uma farm\u00e1cia da Vila Nova para aviar receitas de rem\u00e9dios de seus eleitores, o vereador foi atropelado por um ve\u00edculo que descia a atual 5\u00aa Avenida em alta velocidade. O vereador foi socorrido e chegou com vida ao hospital, mas n\u00e3o resistiu aos ferimentos. A not\u00edcia foi rapidamente transmitida \u00e0s autoridades pol\u00edticas goianienses, que o aguardavam numa solenidade de inaugura\u00e7\u00e3o de um posto de gasolina em Campinas. Por ter sido um dos maiores defensores dos interesses coletivos, n\u00e3o havia como n\u00e3o entrar para a hist\u00f3ria da Casa: Boaventura, al\u00e9m de um pedreiro que se tornou um homem p\u00fablico, foi um assistente social; hoje \u00e9 um her\u00f3i, um mito.</p>\r\n<h3>Odon Rodrigues de Morais</h3>\r\n<p align=\"justify\" class=\"FONTE_PADRAO\">Aos 30 anos, Odon Rodrigues de Morais tinha uma vida tranquila como funcion\u00e1rio do Cart\u00f3rio do 2\u00ba Of\u00edcio de Goi\u00e2nia. Mesmo assim, n\u00e3o recusou o desafio de enfrentar as urnas e representar a popula\u00e7\u00e3o goiana no Legislativo. Foi um dos mais votados na primeira elei\u00e7\u00e3o que disputou. Tomou posse no dia 6 de dezembro de 1947, quando era colocado um fim ao per\u00edodo negro do golpe de Estado liderado por Get\u00falio Vargas. Integrante da UDN (com passagem r\u00e1pida pelo PR), Odon era oposi\u00e7\u00e3o. N\u00e3o havia di\u00e1logo entre os partidos e por isso as lembran\u00e7as muitas vezes s\u00e3o de tempos de dureza.</p>\r\n<p align=\"justify\" class=\"FONTE_PADRAO\">Por oito anos, o vereador cumpriu a responsabilidade delegada pelas urnas. Mas a\u00ed precisou se afastar e recompor sua vida patrimonial, j\u00e1 que o mandato pouco lhe dava em termos de retorno financeiro. Dedicou-se ao com\u00e9rcio, administrando primeiro uma farm\u00e1cia e, depois, um bar. E s\u00f3 voltou ao Legislativo, oito anos depois, por insist\u00eancia do amigo H\u00e9lio de Brito, candidato a prefeito. Ficou outros oitos anos como vereador. N\u00e3o saiu mais da pol\u00edtica, assumindo cargos em comiss\u00e3o. Em 1983, aposentou-se como diretor geral da C\u00e2mara.</p>\r\n<p align=\"justify\" class=\"FONTE_PADRAO\">Odon dirigiu a Casa em duas oportunidades, sempre eleito por unanimidade. Uma lembran\u00e7a feliz que ficou para toda a vida foi a elei\u00e7\u00e3o do filho, Br\u00e1ulio de Morais, como vereador da Capital, seguindo os passos que trilhou nos idos de 47.</p>\r\n<h3>Ana Pereira Braga</h3>\r\n<p align=\"justify\" class=\"FONTE_PADRAO\">Primeira mulher a ser eleita vereadora, ela \u00e9 dona de uma vasto curr\u00edculo e uma invej\u00e1vel trajet\u00f3ria pol\u00edtica e profissional</p>\r\n<p align=\"justify\" class=\"FONTE_PADRAO\">Eleita vereadora pela UDN na 1\u00aa Legislatura (1947) , Ana Pereira Braga se tornou figura de destaque por seu comportamento combativo e, principalmente, por seu empenho e dedica\u00e7\u00e3o quase exclusiva \u00e0 C\u00e2mara Municipal. Foi ela quem redigiu as atas das primeiras sess\u00f5es, onde se percebe um clima pol\u00edtico agitado, mas com discuss\u00f5es voltadas aos interesses do povo. Foi autora de importantes projetos para a Capital, como a constru\u00e7\u00e3o do primeiro necrot\u00e9rio, do albergue municipal, da usina de luz para o distrito de Grimpas (atual Hidrol\u00e2ndia) e da edifica\u00e7\u00e3o da Esta\u00e7\u00e3o Rodovi\u00e1ria de Goi\u00e2nia, al\u00e9m do pedido de verbas para o Teatro Otavinho Arantes (Teatro Inacabado), para os estudantes de artes pl\u00e1sticas e m\u00fasica, as bibliotecas e outros benef\u00edcios para a \u00e1rea cultural.</p>\r\n<p align=\"justify\" class=\"FONTE_PADRAO\">Dona de um vasto curr\u00edculo e uma invej\u00e1vel trajet\u00f3ria pol\u00edtica e profissional, Ana Braga \u00e9 formada em Hist\u00f3ria, Filosofia, Geografia e Direito. Juntamente com Julieta Fleury e Maria Jos\u00e9 Oliveira, foi uma das primeiras vereadoras de Goi\u00e2nia. Posteriormente eleita deputada, ocupou ainda o cargo de secret\u00e1ria estadual de Educa\u00e7\u00e3o.Talvez, um dos maiores desafios de seu mandato como vereadora foi uma campanha em defesa dos filhos das v\u00edtimas da hansen\u00edase, conseguindo atrair a aten\u00e7\u00e3o da sociedade e da imprensa, que deu total apoio \u00e0 causa.</p>\r\n<h3>Jos\u00e9 Naves Jr.</h3>\r\n<p align=\"justify\" class=\"FONTE_PADRAO\">Natural de Araguari, Minas Gerais, em 1934 Jos\u00e9 Rodrigues Naves J\u00fanior deixou o conservadorismo do Tri\u00e2ngulo Mineiro, levando na bagagem dois objetivos : buscar outras paragens e criar ra\u00edzes. Tinha, ent\u00e3o, 19 anos. Seguindo em dire\u00e7\u00e3o a Goi\u00e1s, instalou-se no bairro de Campinas. Foi trabalhar como porteiro-servente, a convite do primeiro prefeito de Goi\u00e2nia, Venerando de Freitas, at\u00e9 fixar resid\u00eancia no distrito de S\u00e3o F\u00e9lix, onde morou por 30 anos. Foi nesse peda\u00e7o de ch\u00e3o que, a partir de 1936, atuou como oficial do Registro Civil. Em 1965, volta \u00e0 Capital e assume a Coletoria Municipal. Por 16 anos consecutivos, de 1947 a 1963, Jos\u00e9 Naves ocupou uma cadeira na C\u00e2mara Municipal (da 1\u00aa \u00e0 4\u00aa Legislatura). Foi presidente da Casa por duas vezes.</p>\r\n<p align=\"justify\" class=\"FONTE_PADRAO\">Udenista hist\u00f3rico, Jos\u00e9 Naves fundou, em 1945, um diret\u00f3rio do partido em Goianira, o primeiro do Estado. Sua ficha de filia\u00e7\u00e3o, assinada em An\u00e1polis, sustenta o n\u00famero 1. Assim como seu t\u00edtulo de eleitor, o primeiro emitido em Goi\u00e1s. Por isso, nos 20 anos de exist\u00eancia da UDN, sequer chegou a cogitar em abandonar a legenda. Integrante da Executiva Regional do partido, ele foi tamb\u00e9m delegado convencional do Diret\u00f3rio Metropolitano de Goi\u00e2nia. Municipalista de carteirinha, ele acreditava que o desenvolvimento macro de um pa\u00eds somente seria consolidado a partir do progresso de cada c\u00e9lula pol\u00edtico-administrativa, representada pelos munic\u00edpios.</p>\r\n<h3>Trajano Guimar\u00e3es</h3>\r\n<p align=\"justify\" class=\"FONTE_PADRAO\">Mineiro de Paracat\u00fa, Trajano de S\u00e1 Guimar\u00e3es nasceu em 14 de fevereiro de 1932. Filho do casal Jo\u00e3o e L\u00eddia de S\u00e1 Guimar\u00e3es, em 1939 transferiu-se com a fam\u00edlia para An\u00e1polis. No Gin\u00e1sio Arquidiocesano Municipal daquela cidade ele concluiu o 2\u00ba grau, ingressando em seguida no Semin\u00e1rio Anchieta de Silv\u00e2nia. Em 1955, Trajano de S\u00e1 formou-se em Teologia pelo Semin\u00e1rio de Mariana, SP. Em 1957, de volta \u00e0 Goi\u00e1s, morou por algum tempo em Ceres, no Vale do S\u00e3o Patr\u00edcio, antes de se estabelecer definitivamente em Goi\u00e2nia.</p>\r\n<p align=\"justify\" class=\"FONTE_PADRAO\">Em julho de 1959, casou-se com a biom\u00e9dica Maria Helena Rebello, com quem teve tr\u00eas filhas: Patr\u00edcia Helena, Fl\u00e1via Cristina (j\u00e1 falecida) e Val\u00e9ria Regina. Nesta \u00e9poca ele j\u00e1 lecionava nos col\u00e9gios Professor Pedro Gomes e Lyceu de Goi\u00e2nia, e na Escola de Oficiais da Pol\u00edcia Militar de Goi\u00e1s. Foi tamb\u00e9m fundador, diretor e professor do Educand\u00e1rio Campinas.</p>\r\n<p align=\"justify\" class=\"FONTE_PADRAO\">Formado em Filosofia, pela UCG, e em Direito, pela UFG, Trajano de S\u00e1 Guimar\u00e3es foi eleito vereador por duas legislaturas, a 7\u00aa (de 71 a 72) e 8\u00aa (de 73 a 76). Orador eloquente, homem trabalhador, digno e honesto em seus prop\u00f3sitos, tanto como cidad\u00e3o quanto como pol\u00edtico, sua presen\u00e7a no Legislativo municipal muito dignificou sua passagem por este Estado. Faleceu em um acidente automobil\u00edstico na estrada de Ipor\u00e1. Em 20 de maio de 1976, foi homenageado pela C\u00e2mara Municipal de Goi\u00e2nia, que deu seu nome a um dos plen\u00e1rios da casa e a um grupo escolar no Parque Amazonas. Tamb\u00e9m um projeto de lei aprovado em 76 denomina de \"Vereador Trajano de S\u00e1 Guimar\u00e3es\" a pra\u00e7a existente na conflu\u00eancia da rua 13 com a rua 22, no Setor Oeste.</p>\r\n<h3>Jos\u00e9 Galv\u00e3o</h3>\r\n<p align=\"justify\" class=\"FONTE_PADRAO\">Jos\u00e9 Santana Galv\u00e3o de Castro foi vereador por duas legislaturas. Um dos mais jovens a assumir. Chegou ao Legislativo com 22 anos, representando os futebolistas (era diretor do departamento de futebol amador da Federa\u00e7\u00e3o Goiana de Desporto, hoje Federa\u00e7\u00e3o Goiana de Futebol), os lot\u00e9ricos (foi um dos fundadores da Associa\u00e7\u00e3o dos Agentes Lot\u00e9ricos, posteriormente Sindicato dos Lot\u00e9ricos de Goi\u00e1s e do Bairro Popular). Uma de suas metas alcan\u00e7ou logo de imediato, que era integrar o Bairro Popular ao Centro de Goi\u00e2nia.</p>\r\n<p align=\"justify\" class=\"FONTE_PADRAO\">Galv\u00e3o, no entanto, se notabilizou por ter o respeito un\u00e2nime dos funcion\u00e1rios da Casa e apresentar projetos pol\u00eamicos. Um deles, que implantava na cidade um forno cremat\u00f3rio, teve de ser promulgado pela pr\u00f3pria C\u00e2mara, devido \u00e0 resist\u00eancia do prefeito da \u00e9poca, Manoel dos Reis. Outro projeto revogava todos os nomes das ruas do Centro de Goi\u00e2nia, retornando \u00e0 antiga nomenclatura. Ruas conhecidas tiveram seus n\u00fameros trocados por nomes, a exemplo da 20, 24 e 68, complicando a vida do goianiense. Galv\u00e3o tentou ainda fazer com que todos os goianos ilustres fossem homenageados nomeando as ruas do setor Pedro Ludovico, fundador da Capital. Como Pedro estava cassado, o projeto n\u00e3o vingou.</p>\r\n<h3>Zeuxis Gomes de Morais</h3>\r\n<p align=\"justify\" class=\"FONTE_PADRAO\">O Regime Militar teve Petr\u00f4nio Portela como seu grande articulador nacional. Em Goi\u00e2nia, um outro articulador fez hist\u00f3ria, terminando por ser comparado a Portela, honraria que mostrava o respeito dos amigos e advers\u00e1rios e destacava sua grande capacidade de atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Zeuxis Gomes de Morais, o Portelinha de Goi\u00e1s, \u00e9 natural de S\u00e3o Jo\u00e3o do Piau\u00ed (PI) e foi eleito pela primeira vez para um mandato na C\u00e2mara de Vereadores de Goi\u00e2nia em janeiro de 1971. Era um mandato tamp\u00e3o de dois anos. Em 1972 foi reeleito para mais quatro anos, e em 1974, para outros seis, totalizando 12 anos no Legislativo.</p>\r\n<p align=\"justify\" class=\"FONTE_PADRAO\">Logo no primeiro mandato, Zeuxis assumiu a secretaria da C\u00e2mara e a condi\u00e7\u00e3o de l\u00edder do prefeito Manoel dos Reis e Silva. No segundo, continuou l\u00edder do prefeito, e no terceiro, assumiu (de 75 a 77) a presid\u00eancia da Casa. Teve passagem tamb\u00e9m pelo Executivo, como secret\u00e1rio de Obras e Servi\u00e7os P\u00fablicos (a secretaria mais forte da \u00e9poca) do prefeito H\u00e9lio Mauro e secret\u00e1rio de Comunica\u00e7\u00e3o (respons\u00e1vel por toda a articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da administra\u00e7\u00e3o) de \u00cdndio do Brasil Artiaga. Foi ainda l\u00edder do grupo de vereadores que ficou conhecido como Os Sete Homens de Ouro.</p>\r\n<p align=\"justify\" class=\"FONTE_PADRAO\">Naquele tempo, lembra Zeuxis, os vereadores eram verdadeiros representantes dos bairros, onde tinham compromissos diariamente. O voto era uma escolha pessoal, e n\u00e3o resultado de uma estrat\u00e9gia de marketing, como hoje. Mas nem tudo era flores. Conta o ex-vereador que o povo n\u00e3o gostava da figura do prefeito nomeado, o que fez com que ele, em certo momento, sofresse desgaste na condi\u00e7\u00e3o de l\u00edder do prefeito.</p>\r\n<h3>Edmundo Rocha</h3>\r\n<p align=\"justify\" class=\"FONTE_PADRAO\">Durante os turbulentos anos 60 e 70 nem todos foram definitivamente tragados pelo sistema repressivo.</p>\r\n<p align=\"justify\" class=\"FONTE_PADRAO\">Edmundo Flor\u00eancio Rocha foi um destes c\u00e2nones dos direitos humanos, que disponibilizou sua jornada pol\u00edtico partid\u00e1ria \u00e0 luta pelo reestabelecimento do estado de direito. Baiano de Correntina, Edmundo Rocha chegou a Goi\u00e1s nos idos de 1950, ap\u00f3s completar 19 anos. Vi\u00favo em 60, com duas filhas, dois anos mais tarde, por\u00e9m, se casaria com uma de suas conterr\u00e2neas, a atual conselheira aposentada do TCM, Ivanisa Coimbra Rocha, com a qual tornou-se pai de tr\u00eas outras crian\u00e7as.</p>\r\n<p align=\"justify\" class=\"FONTE_PADRAO\">Em 63, assumiu seu primeiro mandato de vereador, pelo PTN. Faltando 15 meses para terminar seu mandato, Edmundo Rocha, juntamente com a maioria da popula\u00e7\u00e3o, civil e pol\u00edtica, brasileira p\u00f4de sentir a m\u00e3o pesada da Ditadura. Castelo Branco, atrav\u00e9s do Ato Institucional n\u00ba. 2 (AI-2) dissolveu todos os partidos, para, no m\u00eas seguinte, mediante a assinatura do AI-4, instituir o bipartidarismo. Surgia a ARENA e o MDB. Optou pelo \u00faltimo e em mar\u00e7o de 77, consegue retornar \u00e0 C\u00e2mara de Vereadores. Catorze dias ap\u00f3s ter completado 51 anos morria, v\u00edtima de um acidente a\u00e9reo, causado por uma forte tempestade.</p>\r\n<p><strong>Carlos Eurico</strong></p>\r\n<p align=\"justify\" class=\"FONTE_PADRAO\">Embalado pela doce brisa da Anistia, assinada em outubro de 79 pelo \u00faltimo presidente militar, general Jo\u00e3o Batista Figueiredo, Carlos Eurico, no auge de seus 13 anos, fizera-se Vicentino, um of\u00edcio cat\u00f3lico, no qual p\u00f4de dar forma e dire\u00e7\u00e3o aos seus interesses pelos carentes. Em agosto de 1980, ele se transferiu para Bras\u00edlia, retornando \u00e0 Goi\u00e2nia em 83, na qual lan\u00e7ara, um ano antes, as funda\u00e7\u00f5es do Partido Social Crist\u00e3o (PSC).</p>\r\n<p align=\"justify\" class=\"FONTE_PADRAO\">Como primeiro presidente da legenda na Capital, seu nome foi lan\u00e7ado na campanha de deputado federal constituinte, em 86. Por\u00e9m , n\u00e3o conseguiu ser eleito. Ap\u00f3s um jejum de 28 anos impostos por militares e civis golpistas, Carlos Eurico assumiu uma cadeira no plen\u00e1rio do Legislativo goianiense em 1998, eleito um dos 33 representantes da 11\u00aa Legislatura. Morreu em 13 de fevereiro de 1993, v\u00edtima de choque anafil\u00e1tico, provavelmente provocado por picada de inseto.</p>\r\n<p><strong>Darcizo de Souza</strong></p>\r\n<p align=\"justify\" class=\"FONTE_PADRAO\">O escritor espanhol Jos\u00e9 Ingenieros j\u00e1 sentenciava: \"N\u00e3o se espere nada dos homens que entram na vida sem a febre de um ideal\". Analisada por este \u00e2ngulo, da hist\u00f3ria de Darcizo de Souza pode-se esperar tudo. Nascido em Catal\u00e3o em 10 de novembro de 1943, veio ainda menino para Goi\u00e2nia. Aluno do tradicional Col\u00e9gio Pedro Gomes, em Campinas, e da Escola T\u00e9cnica Federal, aos 17 anos ele entrava pela porta de servi\u00e7o da R\u00e1dio Difusora: foi ser faxineiro. Aos 19, j\u00e1 tinha seu pr\u00f3prio programa, Ave Maria.</p>\r\n<p align=\"justify\" class=\"FONTE_PADRAO\">Pessoa vibrante e simples, Darcizo de Souza transformou-se em pouco tempo no locutor mais querido da r\u00e1dio Goiana. Conhecido como Barba, O Rei da Alegria, em A Sorte \u00e9 Sua e Correio Musical, ele mobilizava a popula\u00e7\u00e3o dos bairros em torno de qualquer pessoa que precisasse de ajuda. Por uma dessas ironias do destino, o rompimento trai\u00e7oeiro de um aneurisma calou sua voz. Tinha ent\u00e3o 33 anos, e vivia um dos momentos mais intensos de toda sua trajet\u00f3ria. Al\u00e9m de manter a todo vapor sua atua\u00e7\u00e3o no r\u00e1dio, Darcizo de Souza cursava a Faculdade de Direito e tinha acabado de ser eleito vereador, um dos mais votados pela ARENA. Com o c\u00e9rebro lesado em duas partes ele passou a viver vegetativamente em uma cadeira de rodas. O sorriso t\u00edmido e as palavras soltas tomaram o lugar de suas sonoras gargalhadas e seus discursos inflamados.</p>\r\n<p align=\"justify\" class=\"FONTE_PADRAO\">Nos arquivos da C\u00e2mara Municipal de Goi\u00e2nia n\u00e3o h\u00e1 muita coisa dita ou feita por Darcizo de Souza. Quando solicitada qualquer informa\u00e7\u00e3o a esse respeito, os funcion\u00e1rios mais antigos se lembram de imediato do seu discurso, em 31 de mar\u00e7o de 1977, exatamente dois meses antes de ser atingido pela doen\u00e7a, onde fazia apologia ao movimento de 64. Curto, mas direto, o discurso surpreendeu sobretudo os companheiros da bancada do MDB. Num tom bem radiof\u00f4nico, lembrando as emiss\u00f5es religiosas das quartas-feiras na R\u00e1dio Difusora, ele inicia sua fala com uma reflex\u00e3o profunda sobre \"o futuro do homem\", para logo tecer duras cr\u00edticas ao radicalismo pol\u00edtico e ideol\u00f3gico. Em seguida, Darcizo insiste no ambiente \"de uni\u00e3o, paz e prosperidade desta terra amada e aben\u00e7oada por Deus\". Quase no final, faz sua profiss\u00e3o de f\u00e9. \"Quero deixar bem claro: somos a favor da Revolu\u00e7\u00e3o\". E lamentando a aus\u00eancia de alguns vereadores do MDB, concluiu: \"N\u00e3o tenho a inten\u00e7\u00e3o de humilhar ou combater este ou aquele partido. Eu quero \u00e9 ver a minha p\u00e1tria feliz... o p\u00e3o de cada dia em todas as mesas. Eu quero ver minha p\u00e1tria realmente contente, contendo o que h\u00e1 na sua bandeira: ordem e progresso\".</p>\r\n<p align=\"justify\" class=\"FONTE_PADRAO\">Um radialista transformado em pol\u00edtico pela for\u00e7a de sua popularidade, Darcizo de Souza n\u00e3o precisou fazer campanha para ser o vereador mais votado no pleito de 76. Era um homem que falava \u00e0 alma do povo. \"\u00c9 certo que ningu\u00e9m jamais o esquecer\u00e1\", garante sua esposa, Leila Gontijo de Souza, com quem Darcizo teve dois filhos, Fernanda e J\u00falio, e criou dois sobrinhos, K\u00e1tia e Henrique. Ela conta que quando o marido foi mandado para casa, os m\u00e9dicos deram-lhe um progn\u00f3stico de 12 a 14 anos de vida. \"Em junho, faz 21 anos que ele vem resistindo\", lembra, emocionada. A receita: \"Muito carinho e cuidados da fam\u00edlia. Ele quase n\u00e3o toma rem\u00e9dios\", afirma. O ambiente \u00e0 sua volta \u00e9 de alegria; n\u00e3o h\u00e1 sinal de dor ou frustra\u00e7\u00e3o. \"Quando Darcizo adoeceu, meus filhos eram crian\u00e7as. Tive que prepar\u00e1-los para aprender a conviver e cuidar bem do pai\". Assim, todos se revezam nesses cuidados e, dentro de duas limita\u00e7\u00f5es, Darcizo de Souza presenciou o casamento da filha Fernanda, em 93, sendo conduzido numa cadeira de rodas especial at\u00e9 ao altar.</p>\r\n<h2><em><strong><span><span><strong><span class=\"FONTE_PADRAO\"><strong>Ponto de partida<br /></strong><em>Quando nascem os l\u00edderes</em></span><span></span></strong></span></span></strong></em></h2>\r\n<p align=\"justify\" class=\" \">Vereadores que se tornaram prefeito, deputado, secret\u00e1rio, ministro ou assumiram outros cargos de destaque:</p>\r\n<p class=\" \">Ad\u00e3o Silva - deputado estadual<br />Aldo Arantes - deputado federal\u00a0<br />Ana Pereira Braga - deputada estadual<br />Anselmo Pereira - deputado estadual\u00a0<br />Ant\u00f4nio Barreto - juiz de Direito<br />Barbosa Neto - deputado estadual e federal\u00a0<br />Benvindo L\u00f4po - deputado estadual<br />Bianor Ferreira de Lima - deputado estadual<br />Clarismar Fernandes - deputado estadual<br />Cl\u00e1udio das Neves - deputado estadual<br />Crist\u00f3vam do Esp\u00edrito Santo - deputado estadual<br />Daniel Ant\u00f4nio de Oliveira -deputado estadual e prefeito<br />Darci Accorsi - deputado estadual e prefeito de Goi\u00e2nia<br />Denise Carvalho - deputada estadual\u00a0<br />Felisberto Pereira Braga - deputado estadual<br />Geraldo de Souza - deputado estadual<br />Heli Mesquita - deputado estadual<br />Idelfonso Avelar de Carvalho - deputado estadual<br />Iram Saraiva - deputado federal, senador, ministro do TCU<br />Iris Rezende Machado - prefeito, governador por duas vezes, senador, ministro da Agricultura e ministro da Justi\u00e7a<br />Jo\u00e3o de Paula Teixeira Filho - prefeito de Goi\u00e2nia (1954)<br />Jo\u00e3o Natal - deputado federal\u00a0<br />Jos\u00e9 Barbosa Reis - deputado estadual<br />Jos\u00e9 Elias Fernandes - deputado estadual<br />Jos\u00e9 Luciano da Fonseca - deputado estadual<br />Jos\u00e9 Luiz Bittencourt - vice-governador<br />Jos\u00e9 Nelto - deputado estadual\u00a0<br />Jovair Arantes - deputado estadual, vice-prefeito e deputado federal<br />L\u00ednio Ribeiro de Paiva - deputado estadual<br />Messias de Souza Costa - desembargador, presidente do TJ<br />Nion Albernaz - prefeito por tr\u00eas vezes e deputado federal Constituinte<br />Oleg\u00e1rio Moreira Borges - vice-prefeito<br />Ol\u00edmpio Jaime - deputado estadual<br />Paulo Silva Gomes - deputado estadual<br />Paulo Souza Neto - presidente do Iplan e secret\u00e1rio Municipal de Meio Ambiente\u00a0<br />Pedro Wilson - deputado federal\u00a0<br />Sandes J\u00fanior - deputado estadual<br />Tobias Rodrigues Alves - deputado estadual e federal\u00a0<br />Valdi Cam\u00e1rcio - deputado estadual\u00a0<br />Vicente Miguel da Silva Souza - deputado estadual</p>\r\n<h2><strong>Mulher e o poder</strong></h2>\r\n<p align=\"justify\" class=\" \">Desde a primeira legislatura, as mulheres participam de forma significativa nas decis\u00f5es da Casa, deixando claro que romperam a \u00faltima barreira ainda existente no caminho da emancipa\u00e7\u00e3o feminina - o poder pol\u00edtico. Ana Braga, por exemplo, a primeira a ser eleita em 1947, era odiada, amada e admirada por seus pares. Ela se destacava, principalmente, pelo empenho e dedica\u00e7\u00e3o na lide de legislar por toda a comunidade goianiense - e n\u00e3o s\u00f3 em causa pr\u00f3pria.</p>\r\n<p align=\"justify\" class=\" \">Hoje os tempos s\u00e3o outros, mas as mulheres continuam mostrando trabalho. O tom rosa-choque de seus discursos significa, sim, um toque feminino, mas tem a for\u00e7a de quem sabe de sua import\u00e2ncia no processo de consolida\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da Capital.</p>\r\n<h3><br /><strong><span>Mulheres no poder</span></strong></h3>\r\n<p align=\"justify\" class=\" \"><strong>Ana Pereira Braga</strong><br />Empossada em 1947, foi a primeira a proferir discurso sobre a import\u00e2ncia da mulher na pol\u00edtica. Eleita deputada, recebeu votos em todos os munic\u00edpios goianos. Era da UDN.</p>\r\n<p align=\"justify\" class=\" \"><strong>Goianita Segurado Bessa</strong><br />Natural da antiga Vila Boa, primeira Capital do Estado, foi eleita em 1972, pela ARENA, participando da 8\u00aa Legislatura. Exerceu um mandato participativo e atuante.</p>\r\n<p align=\"justify\" class=\" \"><strong>Rose Cruvinel</strong><br />Eleita em 1987, pelo PMDB, para a 11\u00aa Legislatura, foi reeleita em 92 e 96. A ocupa\u00e7\u00e3o desordenada da Capital caracterizou sua maior preocupa\u00e7\u00e3o, com v\u00e1rios projetos neste sentido.</p>\r\n<p align=\"justify\" class=\" \"><strong>Maria Jos\u00e9 C. de Oliveira</strong><br />Natural de Catal\u00e3o, participou das duas primeiras Legislaturas pelo PSD. Apesar de fazer oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 Ana Braga, que era udenista, n\u00e3o se furtava em defender as causas femininas.</p>\r\n<p align=\"justify\" class=\" \"><strong>Denise Carvalho</strong><br />Primeira comunista eleita, em 1987 (PC do B) participou da 11\u00aa Legislatura. Em 1990, disputou uma vaga na Assembl\u00e9ia Legislativa, sendo a mais votada na Capital. Foi reeleita em 1994.</p>\r\n<p align=\"justify\" class=\" \"><strong>Olivia Vieira</strong><br />Suplente na 11\u00aa Legislatura, pelo PC do B, assumiu a vaga deixada por Denise Carvalho. Foi reeleita em 92 e 96. Enfermeira formada, \u00e9 conhecida por sua aguerrida atua\u00e7\u00e3o na \u00e1rea da Sa\u00fade.</p>\r\n<p align=\"justify\" class=\" \"><strong>Maria Dagmar B. Miranda</strong><br />Natural de Coutinho, no Esp\u00edrito Santo, foi eleita em 1982, pelo PMDB, para a 10\u00aa Legislatura. Primeira secret\u00e1ria, fazia dobradinha com Concei\u00e7\u00e3o Gayer, sua colega de partido.</p>\r\n<p align=\"justify\" class=\" \"><strong>Maria Concei\u00e7\u00e3o Gayer Lima</strong><br />Goiana de Caiap\u00f4nia, foi eleita em 1982, pelo PMDB, para a 10\u00aa Legislatura. Assumiu a presid\u00eancia da Casa de 1\u00ba a 9/02/83. Depois assumiu como Delegada do Consumidor.</p>\r\n<p align=\"justify\" class=\" \"><strong>Marina Sant\u00b4Anna</strong><br />Participou de duas Legislaturas, a 11\u00aa e a 12\u00aa, pelo PT. Ocupou cargos de relev\u00e2ncia dentro do diret\u00f3rio municipal de seu partido. A Cultura, em toda a sua abrang\u00eancia, foi seu espa\u00e7o de luta.</p>\r\n<p align=\"justify\" class=\" \"><strong>V\u00e2nia Martins</strong><br />Delegada de pol\u00edcia (de carreira), sua determinada atua\u00e7\u00e3o a levou ao Legislativo, onde tamb\u00e9m se destacou. Eleita em 1992, pelo PMDB, participou da 12\u00aa Legislatura.</p>\r\n<p align=\"justify\" class=\" \"><strong>Julieta Fleury da Silva e Souza</strong><br />Vereadora na 1\u00aa Legislatura pelo PSD, foi, junto com Ana Braga e Maria Jos\u00e9 Oliveira, uma das primeiras mulheres a ocupar uma vaga na C\u00e2mara Municipal de Goi\u00e2nia.</p>\r\n<p align=\"justify\" class=\" \"><strong>Neusa Luis Pereira<br /></strong>Paulista de Presidente Prudente, foi eleita em 1976, pelo MDB, participando da 9\u00aa Legislatura. Mais tarde, aderiu \u00e0 Arena, mas n\u00e3o perdeu sua forma aguerrida de legislar.</p>\r\n<p align=\"justify\" class=\" \"><strong>Silene de Andrade</strong><br />Eleita em 1962, pelo PSP, participou da 5\u00aa Legislatura. Pernambucana de Jaboat\u00e3o, se destacou pela compet\u00eancia e seriedade com que sempre conduziu o trabalho parlamentar.</p>\r\n<p align=\"justify\" class=\" \"><em><strong><span><span><strong><br /></strong></span></span></strong></em></p>\r\n<p class=\" \"><span class=\"FONTE_PADRAO\"><strong><br /></strong></span></p>", "author_name": "DTI", "version": "1.0", "author_url": "https://www.goiania.go.leg.br/author/DTI", "provider_name": "C\u00e2mara Municipal de Goi\u00e2nia", "type": "rich"}