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CEI questiona tarifa igual para transporte em toda a Rede Metropolitana

por Quezia Alcantara publicado 19/05/2017 12h31, última modificação 19/05/2017 12h31

A Comissão Especial de Transporte (CEI) do Transporte Coletivo ouviu na manhã de hoje, 19, o diretor técnico da Companhia Metropolitana de Transporte Coletivo (CMTC), Walter Silva e o presidente da Metrobus, Marilus Machado.

O diretor técnico confirmou aos membros da comissão que “o contrato das empresas que ganharam a licitação em 2008 não está sendo cumprindo”, referindo-se as cláusulas que exigem a manutenção da qualidade da frota, à quantidade de viagens dos ônibus coletivos e a requalificação dos terminais.

Ele ainda contou que após assumir a diretoria técnica da CMTC enviou requerimento às empresas (HP, Rápido Araguaia, Reunidas e Metrobus) para informarem sobre problemas que sua equipe detectou e que “recebeu a resposta de que teriam que se reunir para combinar as respostas a serem dadas”, o que achou absurdo.

O vereador Clécio Alves (PMDB), que preside a comissão, quis saber sobre a postura do advogado da companhia já ouvido pela CEI do Transporte, Vladimir di Coimbra, que defendeu as empresas e não a CMTC e o usuário em ação civil pública do Ministério Público por descumprimento do contrato de concessão. Silva relatou que precisou conversar com a equipe jurídica para que se alinhasse com a proposta da nova gestão e que passasse a “ficar do lado da CMTC”.

Já o vereador Anselmo Pereira (PSDB), que é o relator da CEI, focou seus questionamentos no fato de que os cargos da companhia são indicações políticas e que isso impede que a qualificação técnica seja priorizada. Ele falou que a comissão vai pedir relatório das multas aplicadas às empresas por descumprirem cláusulas do contrato e também o motivo de não estarem repassando o imposto devido à CMTC de dois por cento.

Vinícius Cirqueira (Pros) destacou pesquisa de satisfação efetuada pelas universidades UFG e IFG para o MP em que o sistema público metropolitano recebeu notas abaixo de 4. A pesquisa abordou estado de conservação da frota, limpeza, tempo de espera, conforto, lotação, segurança nas viagens e terminais e estes itens foram avaliados de 2.2 a 2.8 apenas.

METROBUS

Já o presidente da Metrobus, Marlius Machado, foi sabatinado a respeito da falta de reforma e manutenção dos terminais que são utilizados pelo Eixo Anhanguera e pela extensão da linha que atualmente adicionou as cidades de Trindade, Senador Canedo e Goianira, sem que as prefeituras dessas localidades dessem alguma contra-partida de recursos para a empresa.

Machado destacou que a empresa é pública, possui um programa de Transporte cidadão subsidiado pelo governo do Estado e tem uma função social que extrapola o município de Goiânia. Contou que a Metrobus possui 107 veículos, mas que cerca de 10 estão fora de operação devido a problemas mecânicos.

Questionado sobre a péssima infraestrurua dos terminais, Machado declarou que a empresa “não tem obrigação de fazer reformas, mas de deixá-los dignos e em condição de uso”. Também afirmou que a Metrobus “não tem receita suficiente, nem obrigação de requalificar os terminais”, da forma que os vereadores inquiriam, dando como exemplos os terminais recém reformados pelas outras empresas que operam o transporte público da capital.

Anselmo voltou a destacar que a expansão da rede que era de Goiânia para atender os municípios da região metropolitana tem causado a inadimplência da Metrobus. “Dentro de Goiânia paga-se R$ 1,85 para andar de um bairro para outro e é o mesmo que paga o usuário que vai de Goiânia para Senador Canedo ou Goianira”.

O presidente da Metrobus concordou que o atual modelo está fadado à insolvência, apesar do subsídio de 50% dado pelo governo do Estado à passagem, sendo a outra metade paga pelo usuário, totalizando receita integral de cerca de R$ 7 milhões.

Clécio adicionou que pretende requerer as contas da Metrobus desde 2005, pois foi neste ano que o sistema mudou dos anéis tarifários que permitiam cobrar dos passageiros dos municípios vizinhos uma tarifa maior, já que viajavam mais quilômetros dentro dos ônibus. “Quando foi feita a mudança quem ia para Bela Vista pagava R$ 5,00 e aqui na capital R$ 1,85, mas quando acabaram com os anéis tarifários todos passaram a pagar de forma igual, R$ 3,70”, contou.

O vereador adicionou que o goianiense foi injustiçado e que paga, no final das contas pelos moradores de cidades vizinhas. Marlius defendeu que a Metrobus pertence ao Estado de Goiás e como estatal é gerida tendo por base políticas sociais como a que foi implantada unificando a passagem de toa a rede metropolitana.

Os vereadores ainda concordaram que a extensão da Metrobus para outros municípios precisa ser revista, pois os municípios que foram beneficiados não fizeram terminais ou instalaram pontos de ônibus,o que colocam os passageiros em risco, utilizando inclusive rodovias para aguardar o transporte. (Foto de Alberto Maia)